Dicas Titus – 1

Julho 9, 2009

dicas de titus 1


Murilo Benbesta

Julho 8, 2009

Entrevista do ator Murilo Benício no programa da Xuxa, onde ele diz como é engraçado espancar sua cadela:

A Xuxa entrega um pássaro (dizem que foi comprado de um criador autorizado pelo Ibama) e o cagalhão tem medo…

“Enrola um jornal e bate no chão. Não precisa bater.” diz a Xuxa.

“Mas eu aprendi assim.” responde o espertão. Pois bem, meu amigo… APRENDA DIFERENTE!!

Não sei quem é pior, o cagalhão que bate na cadela ou a Xuxa que deixa um bicho novo aos cuidados de um Zé Ruela desses.


Capa de Cira

Julho 3, 2009

Ainda é cedo para colocar a capa completa de Cira aqui. Mas já dá para divulgar a ilustração principal:

cira_ilustrada

Por um bom tempo, fiquei em um debate pessoal (eu comigo mesmo) para decidir se, na capa, eu buscaria uma linguagem mais realista para deixar a estilização apenas para as ilustrações internas. Acabei decidindo que este seria um bom caminho somente se o ilustrador da capa fosse outra pessoa. Caso alguma editora se interesse por publicar Cira e queira seguir esta ideia, talvez a capa seja bem diferente. Se não for assim, a ilustração da capa será a minha e eu acredito que manter a integridade de linguagem é a melhor solução.

Espero que vocês gostem. Haverá outros elementos, mas esta ilustração é que ocupará mais espaço.

Cira, agora, está sobre a mesa de várias editoras, esperando que alguém se interesse em publicar.


Onde encontrar

Julho 2, 2009

É verdade que, desde que comecei a colecionar histórias em quadrinhos, lá na primeira metade dos anos 80, nunca vi o mercado nacional tão favorável quanto agora para apaixonados incorrigíveis pela nona arte.

 Os Nacionais:

A Panini anda lançando materiais bem interessantes e com qualidade gráfica louvável:

- A minissérie de Wolverine desenhada por Frank Miller.

- A fase Brian Azarello e Ricardo Risso com Batman – Cidade Castigada

- Batman – A piada mortal recolorizado,

piada mortal

- Batman – O cavaleiro das trevas (ainda tem por ai)

- Coringa. Com capa dura. Caprichado.

- Loki. Uma das melhores histórias de Thor, numa edição bacana.

- Homem-de-ferro – Extremis. Esse também merecia uma edição em capa dura, mas tá valendo, assim mesmo.

- Watchmen em duas versões, uma econômica e outra de luxo.

watchmen 1

- O encadernado com as histórias de Paul Dini, pintadas por Alex Ross para os personagens da DC Comics.

- Lobo. Esse foi uma surpresa. A edição brasileira está mais luxuosa do que a americana.

- Novos X-men, de Grant Morrison. Por enquanto, saíram dois encadernados. Espero que continuem. É uma das melhores fases dos X-men.

imperial

- Os encadernados de Supremos. De longe, a história de super-heróis mais divertida e empolgante da década.

- Lobo Solitário e Samurai Executor. Clássicos dos mangás. É possível comprar as séries importadas, da Dark Horse, mas, neste caso, aconselho a preferir as edições nacionais. Os apêndices são muito melhores e a edição americana adaptou os quadros para o sentido de leitura ocidental. Parece bobagem, mas ler mangá no sentido original é bem melhor, acredite.

Os quadrinhos da Panini podem ser encontrados em bancas, mas a maioria do que apontei aqui ou foi distribuída setorizadamente ou simplesmente já sumiu das prateleiras. Mas não se desespere.

Tente a Fnac, que faz bons descontos: www.fenac.com.br

O mais garantido é a Comix. Se você mora em São Paulo, vale uma visita. Se não, eles vendem pela internet: www.comix.com.br

Algumas coisas podem ser encontradas por bons preços na Rika: www.rika.com.br

Tem também a Livraria Cultura: www.livrariacultura.com.br e a Saraiva: www.saraiva.com.br

Já comprei em todas elas e são ponta-firme.

A Conrad não faz feio. Depois da coleção completa de Sandman (espero que você tenha completado a sua), eles deram um susto nos leitores, num hiato de lançamentos que fez marmanjo chorar. Agora, parece que a editora está voltando ao normal e continuando seu ótimo trabalho:

- Dragon Ball. De longe, o mangá mais divertido que já tive o prazer de ler. Estão no número 16 da versão definitiva e ainda tem muito por vir. Espero que continuem.

- Verão Índio e El Gaucho. Duas obras-primas da dupla Hugo Pratt e Milo Manara. Não comprou ainda? Está perdendo tempo.

- O Clic, de Manara. Quadrinhos eróticos de qualidade nada suspeita.

- Borgia. Não consigo entender como ainda não esgotou na editora. É bom demais para estar sobrando.

O legal da Conrad é que, além de você poder procurar os títulos nas lojas que mencionei antes, eles ainda têm a loja própria: www.conradeditora.com.br

A Pixel, selo da Ediouro para quadrinhos, era uma promessa, mas não passou muito disso, não. Depois de encher os leitores com esperanças e alguns lançamentos empolgantes, morreu na praia. O legal deles foi o lançar quatro álbuns de Corto Maltese. Esses ainda podem ser encontrados nas livrarias (Cultura, Saraiva, Fnac). Já sem o selo Pixel, a Ediouro lançou, surpreendentemente, a quadrinização do conto que deu origem ao filme “O curioso caso de Benjamin Button”, de Fritzgerald. Muito melhor do que o filme.

Outra editora que prometeu, chegou a lançar algumas coisas e morreu foi a Ópera Graphica. Talvez você ainda encontre alguma encadernação de Ronin, mas acho pouco provável.

A Devir continua tentando, mas lançar quadrinhos, definitiva e ironicamente não é o forte deles. A passagem de Authority por lá foi decepcionante. Eles lançaram os dois primeiros números de Rampaces (por aqui, Predadores), mas ainda faltam mais dois. Além da falta de cuidado gráfico e com revisão, a Devir sofre do mal de não terminar o que começa. Já faz um tempo que prometeram o Umbrella Academy e, até agora, nada! Pelo menos, é uma alternativa de importação. Mas se você não mora em São Paulo e tem cartão de crédito internacional, aconselho uma outra alternativa bem mais confiável e econômica: internet. Mas deixemos para falar sobre isso daqui a alguns parágrafos.

Uma editora que está entrando com qualidade no mercado de quadrinhos é a Companhia das Letras. Já lançaram Maus, Persépolis e uma coletânea de álbuns de Will Eisner. Também tem o ótimo trabalho de Spacca, em comemoração aos duzentos anos da vinda da família real ao Brasil: Dom Pedro Carioca. Para as publicações da Companhia, a melhor alternativa é a Livraria Cultura, que tem uma parceria e descontos especiais para os produtos da editora. Melhor ainda se você fizer parte do programa de fidelização deles. Aliás, utilize esta alternativa, não só na Cultura, mas também na Saraiva e na Fnac. É vantajoso, principalmente se o seu volume de compra for considerável.

 Os Importados

Se você não sabe ler em inglês, seria bom pensar a respeito. Não é um bicho de sete cabeças. O mesmo vale para francês e italiano. E você ainda poderá curtir trabalhos ótimos nessas línguas e que não saem por aqui.

Para comprar quadrinhos importados, existem algumas alternativas. Primeiro, prepare o bolso, mas não se desespere. Não é tão desesperador assim. Minha versão daquele encadernado dos Super-heróis DC de Paul Dini e Alex Ross é importada. E saiu mais barata que a nacional.

Se você não tem cartão de crédito internacional, algumas coisas podem ser encomendadas na Livraria Cultura e na Saraiva. A Cultura é a melhor nesse segmento. Trazem material dos Estados Unidos, Inglaterra, França, Itália e Espanha. O problema é que a maioria tem que ser encomendada e demora bastante para chegar. O preço não é muito maior do que importando por algum site, mas, na maioria das vezes, você economiza comprando diretamente lá fora. A vantagem é que, na Cultura, você consegue parcelar no cartão.

Por outro lado, se você tem cartão internacional, sua vida fica bem mais fácil. As melhores alternativas são:

www.amazon.com – Provavelmente você já ouviu falar dela. Para revistas mensais, não é recomendável. Mas para encadernados é ótima. Você também pode visitar a Amazon francesa e trazer coisas bem bacanas. Eu recomendo Sillage, Rampaces e Murela. Mas ainda estou engatinhando no mercado francês, então ainda tem muita coisa boa para ser descoberta. Uma vantagem de comprar na Amazon francesa é que a mercadoria chega muito rápido. Mais do que a americana e, definitivamente, bem mais rápido que a Cultura.

www.tfaw.com – Things From Another World. Esse site é especializado. Você pode comprar encadernados e revistas. Chega mais rápido do que a Amazon. Até agora, não tive nenhum problema.

www.heavymetal.com – Onde você pode assinar a Heavy Metal e encomendar vários dos álbuns deles. Inclusive a ótima Drunna e Ranxerox.

E atenção ao que você poderia estar lendo, ou completando em sua gibiteca:

- Punisher – Garth Ennis – Omnibus – Um volumão em capa dura com mais de mil páginas com quase todas as histórias que Garth Ennis escreveu para o Punisher no selo Marvel Knights. Só ficou faltando Ressurrection of Ma Gucci. Mas esse você pode comprar separado em uma encadernação caprichada.

- Absolute Ronin – Quem é fã da obra de Frank Miller vai encontrar uma edição luxuosa da minissérie.

- Daredevil by Frank Miller Omnibus – Outro volumão, dessa vez com as melhores histórias que Frank Miller escreveu para Daredevil (por aqui, Demolidor). Tem “A queda de Murdock”, “O homem-sem-medo” e “Guerra e Paz”. Um outro volume da Elektra traz “Elektra: Assassina” e “Elektra Vive”, além de uma historinha curta.

- Marshall Law – Mais um volumão, com as histórias do caçador de heróis. Ainda está em pré-venda. Mas você encontra alguns encadernados avulsos. Meu conselho: Espere este encadernado.

- O terceiro volume da Liga Extraordinária é superestimado. Não é tudo isso. Mas você só vai encontrar lá fora.

- 100 Bullets. A Ópera Graphica tentou, a Pixel tentou… mas parece que a obra-prima de Azarello e Risso só vai chegar mesmo importada. Então, corra atrás.

- Y, the last man – Outra ótima publicação da Vertigo que você só vai acompanhar se importar.

- The Boys – A sátira corrosiva de Garth Ennis dos super heróis. Divertida de tão podre.

- The Savage Sword of Conan – A Dark Horse está republicando em encadernações. Não tem o luxo que mereceria, mas é uma boa forma de ter todas as histórias e na ordem em que foram publicadas lá fora. Já está para sair o número 6. Corra atrás antes que acabe.

- American Flagg – De Howard Chaykin. Chegou a sair por aqui lá na segunda metade dos anos 80. Pouca gente deve lembrar. Mas vale muito a pena.

- Outro em pré-venda é uma edição completa de Rocketeer. Diversão garantida.São duas histórias. A primeira foi publicada na finada série Graphic Novel da Abril. A segunda nunca deu as caras por aqui. Oportunidade.

- Path of the Assassin – Da mesma dupla criadora de Lobo Solitário e Samurai Executor. Provavelmente, não sairá por aqui, mas não é certeza. Se dermos sorte, a Panini se arriscará. Seja como for, a Dark Horse aprendeu a lição. Ao contrário das outras duas séries mencionadas, essa aqui já foi publicada respeitando a orientação de leitura oriental.

- Authority – Compensa mais correr atrás das edições americanas. Com os quatro primeiros encadernados, você já tem diversão inteligente. Se achar que deve comprar os quatro seguintes… sua conta e risco. Também tem um especial chamado Human on the inside. Bacana.

- All Star Superman – Ok, eu sei que deveria ter falado sobre ele lá no começo. Afinal, foi lançado por aqui. Mas, sinceramente, compensa muito mais pegar os dois encadernados importados. Uma obra que merece o prestígio.

- Punisher Max, de Garth Ennis – Esse aqui é pura opinião pessoal. Eu considero o melhor momento de Punisher. Um saco ter que acompanhar no mix da Marvel Max da Panini. O importado pode ser encontrado em 5 encadernados em capa dura ou 10 em capa cartonada. Pelo preço, compensam mais os de capa dura.

- Preacher – Já que voltei a falar de Garth Ennis… o melhor jeito de ter toda a série Preacher é importando. Ou as edições em capa cartonada ou esperando os especiais em capa dura, que começam a sair no segundo semestre de 2009.

 Todas as sugestões que eu dei de edições seguem puramente uma questão pessoal. Provavelmente, esqueci de mencionar alguma coisa. Mas não importa. Importantes são os endereços para você contribuir com sua gibiteca.

Sinta-se à vontade para fazer sugestões no espaço para comentários.


Alguém me explique

Junho 26, 2009

Não preciso falar sobre a morte de Michael Jackson, não é? Você deve ter ouvido falar sobre isso. Deu em todas as emissoras de rádio e televisão, em todos os sites de notícias, em todos os jornais.
Quero pular essa parte e falar um pouco sobre os “especialistas”, palpiteiros e pseudocelebridades que se manifestam em horas como essas para honrar a memória do ídolo.
Glória Maria, por telefone para a Globo News, serviu como a “entrevistadora especializada”, que conversou pessoalmente com Michael Jackson. Um depoimente esquisito, para dizer o mínimo, onde a jornalista defendia “inocentemente” as maluquices do cantor. Concordo que o branqueamento da pele é perfeitamente explicável pelo vitiligo – existem tratamentos onde o que sobra de melanina é eliminado -, mas justificar as aberrações plásticas que ele pagou (acredito eu) para que fizessem em seu rosto e seu vício declarado em analgésicos, dizendo que são consequências do acidente sofrido durante a gravação de um comercial para a Pepsi… é um desrespeito aos sobreviventes de queimaduras sérias que, nem por isso, viciaram-se em morfina. E quando ela disse que as cirurgias no nariz foram para corrigir um desvio no septo?! Que septo, hein!? Convenhamos, esse é a desculpa furada mais usada para explicar correções de narizes de 9 entre 10 daquelas pessoas que reaparecem, depois das férias, com napas novas! O mais engraçado foi ouvi-la dizer que era fã dele, apesar de não curtir a música. Alguém poderia me explicar a lógica de uma pessoa que é fã de um músico e que não gosta da música do sujeito?
A duplinha axezenta, Ivete e Claudia, lançou notas à imprensa lamentando a morte do “rei do pop”. O.k…. e?
Uma bizarrice deprimente foram os telefonemas durante o programa da Luciana Gimenez, acompanhada de Nelson Rubens. Teve até entrevista com ex-Dominó (alguém realmente lembra deles? Sim? Parabéns… você está com espaço de sobra aí no cérebro).
Por algum motivo com que não consigo atinar, a gravação do clipe numa favela carioca e no Pelourinho, em Salvador, tem muito mais importância do que os shows que ele realizou três anos antes, em São Paulo. Provavelmente por que sobram imagens gravadas, que não foram possíveis durante os shows? Por que, em 96, ele teve mais contato com o povo, enquanto, anteriormente, o maior contato tenha sido o atropelamento de um fã? Pode ser.
Ao morrer, Michael Jackson recebeu mais atenção nas horas subsequentes do que nos últimos anos. E, como sempre, tem muita gente com inveja do morto…


Surpresa?

Junho 26, 2009

Em 1984, eu tinha 12 anos. No Brasil, Michael Jackson estava no auge. É surpresa que eu tenha curtido aquele álbum, que tenha dançado em bailes ao som de “Beat it”, “The girl is mine” e “Thriller”? Que eu tenha me empolgado com os efeitos especiais e a maquiagem do clipe? É surpresa que, vez por outra, eu tenha fantasiado estar andando em calçadas que acendiam sob meus pés? (vai me dizer que você nunca fez isso?)

Para mim, Michael Jackson existiu até Thriller. Essa é a memória que tenho dele. Parece justo. Tudo o que aconteceu depois fez parte de um plano perverso para destruir aquele fenômeno. Uma auto-sabotagem macabra.

É normal atribuirmos virtudes aos mortos. Michael Jackson deixa saudades… mas não por sua morte recente e sim pelo que ele representou há mais de vinte anos.


Um post interessante

Junho 25, 2009

Jornalistas formados

Junho 24, 2009

O Tribunal Superior Federal decidiu que o diploma de jornalismo não é mais obrigatório para o exercício da função. O argumento mais utilizado foi o da liberdade de expressão.

Foi um festival tragicômico.

A comunicação de massa é uma arma. Isso não é novidade, nem segredo. Derruba governos, elege ditadores, revoluciona, transforma, aprova e reprova. Se você não sabia disso, precisa prestar um pouco mais de atenção à história da humanidade.

Ninguém está acorrentando a liberdade de expressão ao regulamentar uma profissão que tem responsabilidade social. Sem desmerecer os cozinheiros, mas é mais pertinente comparar os jornalistas a médicos e militares, que são cobrados em suas posturas, em sua ética e seu compromisso com a sociedade e com os seres humanos.

Se o Tribunal Superior está tão preocupado em garantir a liberdade de expressão dos brasileiros, que tal liberar a concessão de emissoras de rádio e televisão?


Como seria?

Junho 24, 2009

Palavras de Xuxa durante audiência do processo que moveu contra a Rede Bandeirantes: “Ao saber da matéria, tive que contar para Sasha que já tinha posado nua. Foi uma grande decepção para ela. Além de ser mãe, eu sou o ídolo dela; ela tem orgulho do meu trabalho. Queria ser a primeira a falar com minha filha sobre isso e fiquei preocupada que ela ficasse sabendo por outras pessoas. Não sei até que ponto isso poderia traumatizá-la”.

O processo foi uma resposta da apresentadora à divulgação de fotos que foram publicadas na revista Playboy, na década de 80 e que foram mostradas no programa “Atualíssima”.

Traumatizante mesmo será quando ela tiver que explicar para a filha o filme “Amor Estranho Amor”. Afinal, não é tão difícil achar uma cópia por ai.


O Macartismo tardio contra Will Eisner

Junho 22, 2009

Quase 60 anos depois de apavorar a indústria de entretenimento norte-americano, o movimento liderado pelo senador Joseph McCarthy parece querer entrar na cultura brasileira. Não com a paranóia anti-comunista e a pressão do senado, como aconteceu nos EUA, mas com o mesmo espírito neurótico e agarrando-se a conceitos questionáveis de “moral e bons-costumes”. Tanto lá como aqui, a indústria dos quadrinhos se transforma em alvo prioritário. Lá, na década de 50, o Macartismo foi responsável pela criação do famigerado Comics Code. Aqui… sabe-se lá que tipos de ideias podem surgir.

Depois da polêmica gerada pela lambança da Secretaria Estadual de Cultura, que indicou uma história em quadrinhos adulta para alunos da quarta série, os moralistas de plantão sentiram-se na obrigação de apontar suas neuroses para outras obras gráficas. O escolhido da vez foi nada menos que a obra-prima “Um Contrato com Deus” de Will Eisner, que está na lista do MEC. Por não ser considerado didático, está seguindo para as bibliotecas. Educadores de São Paulo e Paraná estão exigindo a retirada do livro das prateleiras, alegando que contém cenas de violência, estupro e pedofilia e que está circulando entre alunos da quinta série.

Paulo Teixeira, um blogueiro cristão/maluco está rotulando a graphic novel como “obra do Poder das Trevas”: http://holofote.net/2009/06/02/livro-%E2%80%9Cum-contrato-com-deus%E2%80%9D-que-vai-ser-distribuido-pelo-governo-federal-as-bibliotecas-escolares-contem-cenas-de-estupros-violencia-domestica-pedofilia-e-outras-aberracoes/

É uma tristeza ver o trabalho de um dos mais importantes artistas do século XX sendo reduzido a um “gibi com cenas inadequadas”.

“Um Contrato com Deus” é poesia gráfica, lição de desenho e narração. A história principal e as histórias curtas que acompanham são autobiográficos de sua infância e adolescência. Não é  para crianças, é verdade, mas está longe de ser merecedora de uma caça às bruxas. Muito menos ser jogada na fogueira da censura imbecil dos neo-macartistas e manipuladores da paranóia acéfala.

acontractwithgod

 


Frango sedativo

Junho 6, 2009

A publicidade tem grande importância social e política. Ou você pensa que é por acaso que os órgãos de comunicação estão entre as primeiras instituições tomadas na ascensão de governos totalitários? Hittler, por exemplo, tinha um ministro de Propaganda. Quem trabalha com publicidade e propaganda tem o dever de exercer sua profissão com responsabilidade e ética. Não confundamos com censura. E não confundamos, também, liberdade de expressão com, digamos… babaquice.

Está no ar uma peça publicitária do produto “Chicken Popcorn”. No filme, uma mãe senta-se à mesa para conversar com a filha, uma criança de uns 8 ou 9 anos, sobre sua atuação na escola. Que a menina tem tirado notas baixas, tem-se mostrado desconcentrada… A menina está saboreando o produto. Corta para o logotipo da empresa. Ele se abre, e a menina aparece e fala com o espectador: “Tenho que abrir o coração para vocês”. Ela diz como fica distraída quando está comendo o “Chicken Popcorn” e por isso que não presta atenção ao que a mãe está falando.

Deixe-me ver se eu entendi:

1 – A mãe não se sentou com a filha à mesa para falar sobre uma amenidade qualquer. Ela está falando sobre o desempenho negativo da menina na escola.

2 – A menina, comendo, não presta a menor atenção ao que a mãe fala.

Isso era para ser uma qualidade do produto? Sua capacidade de fazer a menina não escutar a mãe? O comercial ainda deixa margem para que se deduza que o produto também é responsável pelos problemas da criança na escola.

Trabalho com publicidade. Sei que uma peça tem que receber o aval de muitas pessoas. Preocupa-me imaginar que esse comercial da Perdigão possa ter passado pela avaliação de tanta gente e, mesmo assim, tenha ido ao ar.

É um exemplo de propaganda negativa para o produto, atribuindo-lhe a “qualidade” de minar a atenção de uma criança e atrapalhar seu andamento escolar e seu relacionamento com a mãe. Ninguém falou para os responsáveis pela aprovação do comercial que é a mãe que compra o tal “Chicken Popcorn”?

Também é um exemplo de falta de ética ao tratar de assuntos sérios. Podemos ir longe e dizer que estão brincando com um mal que aflige os alunos, o déficit de atenção. Quem sabe não podemos dizer que estão fazendo piada de mau gosto com evasão escolar, analfabetismo funcional…?

A campanha da Perdigão é, na falta de termo melhor, um desrespeito, não só aos consumidores, mas àqueles que prezam pela ética e responsabilidade social quando exercem sua profissão de publicitário.


Só restar perguntar:

Maio 31, 2009

Que porra é essa?


Duna

Maio 26, 2009

Duna é considerada por muitos a maior saga de ficção científica da literatura. Não é um título desmerecido. O universo criado por Frank Herbert conquistou uma legião de fãs. No Brasil, a saga não é tão popular. Culpa das editoras, que relegaram Duna ao limbo. É muito difícil encontrar uma cópia do primeiro livro em português.

Aos que leem em inglês, não faltam edições. Na Amazon e na Livraria Cultura é possível comprar todos os exemplares da série.

Aqui vai a lista das obras para você não se perder:

1- Dune (Duna)- Lançado em 1965. Foi o primeiro livro da saga. Conta a assenção de Paul Muadib a imperador da galáxia.

2- Dune Messiah (Messias de Duna) – De 1969. Vinte anos após o início da Jihad de Muadib, em que ele conquistou o universo humano.

3- Children of Dune (Os Filhos de Duna) – De 1977. A queda de Muadib e a ascensão de seu filho, Leto II.

4- God Emperor of Dune (Imperador-Deus de Duna) – 1981. Depois de 3.500 anos, chega ao fim o reinado de Leto II.

5- Heretics of Dune (Hereges de Duna) - 1984. A humanidade espalhou-se pelo universo e novos grupos começam a retornar ao território do velho império. A história se passa 1.500 anos depois da morte de Leto II.

6- Chapterhouse Dune (Casa capitular) – 1985. A ordem das Bene Gesserit enfrentam as Honored Matres, enquanto transformam seu planeta numa nova versão de Arrakis.

heretics of dune

Em 1986, Frank Herbert morreu, sem ter completado a saga de Duna. Seu filho, Brian Herbert, alega ter encontrado os manuscritos que continham as ideias dos pai para a conclusão da história, além de descrições da formação do universo de Duna. Juntamente com Kevin J. Anderson, deu continuidade ao trabalho de Frank Herbert.

A ordem cronológica da história, incluindo os livros de Brian Herbert é a seguinte:

1- The Butlerian Jihad

2- The Machine Crusade

3- The Battle of Corrin

4- House Atreides

5 – House Arkonnen

6- House Corrino

7- Dune

8- Paul of Dune

9- Dune Messiah

10- Children of Dune

11- God Emperor of Dune

12- Heretics of Dune

13- Chapterhouse Dune

14- Hunters of Dune

15- Sandworms of Dune


Sargento Rock

Maio 20, 2009

Stan Lee sempre entoou um mantra: “Use a primeira página da revista para recontar ao leitor em que pé está a história. Toda revista em quadrinhos pode ser a primeira na vida de um leitor e ele tem o direito de acompanhar a partir dali, sem ter que recorrer aos números anteriores.” Não são bem essas as palavras, mas a ideia era essa. Lá pelos idos da década de 80, as minisséries tornaram-se populares. A recapitulação continuou regra. Não acredita? Confira a encadernação da mini do Wolverine que está nas bancas. Cada novo número trazia um resuminho da edição anterior. E dá-lhe, inclusive, repetir sempre a frase célebre do X-man nas quatro edições: “sou o melhor no que faço e o que eu faço não é nada bonito”.

Hoje, já se sabe (espero) que minisséries não precisam desse recurso. Engraçado como justamente a DC, concorrente da Marvel, acabou por ressuscitá-lo. Refiro-me ao lançamento mais recente das bancas, pela Panini: “Sargento Rock – a profecia”. Lá nos EUA, saiu em forma de uma minissérie em seis edições. A cada novo capítulo, a primeira página, utilizando recursos de metalinguagem (até interessantes, como na vez em que Bull está falando com um cachorro filhote), reposiciona o leitor sobre a história que ele está acompanhando. Isso fica ainda mais esquisito quando reúnem a minissérie em um volume encadernado. Afinal, o que o soldado está contando ao cachorro… digo, ao leitor, provavelmente você leu há dez segundos.

O desenho de Joe Kubert é o que se espera de um Mestre. Uma aula de desenhos para histórias em quadrinhos, com todas as qualidades da nona arte.

Já o texto…

Os personagens parecem estar em um jogral, repetindo os apelidos uns dos outros, de forma negativamente teatral, para posicionar-nos, leitores, às características de cada um e suas motivações. Peço desculpas aos fãs de Sargento Rock e sua companhia Moleza (preferiria que mantivessem o nome original “easy”), mas, muitos anos de releitura do gênero “histórias de guerra”, seja no cinema, na literatura ou nos quadrinhos, deveria influenciar a forma de ressuscitar os soldados mais populares da DC Comics.

Tive a nítida sensação de estar lendo um quadrinho escrito na década de 70. E não considero isso um elogio. Sei que são personagens da DC e isso envolve problemas de direitos autorais, mas teriam começado bem em editar essa mini pelo selo Vertigo e buscar uma entonação mais adulta. Duvido que os leitores que conheçam Sargento Rock têm menos de dezoito anos. Desses, quantos realmente se interessarão pela edição?

Não, não adianta reclamar. Ainda é uma história juvenil com maquiagem borrada para parecer adulta. Mas não é. Percebem-se todas as concessões editoriais para contornar a censura.

A Panini também pisou na bola nesta edição. Lá na capa está estampado “História inspirada por fatos reais”. Foi-se o tempo em que a Panini tomava a iniciativa de incrementar o material com algumas notas explicativas? Fosse há algum tempo, tenho certeza de que teriam acrescentado um material explicativo, expondo ao leitor que tais fatos reais são esses. A Segunda Guerra, pura e simplesmente? Espero que a resposta não seja tão simplista e ofensiva à inteligência do leitor.

Ou será que também perceberam que “Sargento Rock – a profecia”, apesar dos ótimos desenhos, realmente não era merecedora de muito trabalho?

sto rock


Lulla e a poupança

Maio 14, 2009

lulla


Sobre o Tucson

Maio 2, 2009

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Para se divertir

Abril 30, 2009

Graças ao lançamento do filme solo(?) do Wolverine, a Panini está lançando algumas coisas interessantes. A minissérie de Frank Miller e Chris Claremont, renomeada como “Eu, Wolverine” (vai entender) e uma edição encadernada luxuosa de “Inimigo do Estado”. Essa foi escrita por Mark Millar e desenhada por Romita Jr. Não são grandes obras, expoentes da arte dos quadrinhos. São para ler naqueles momentos em que tudo o que você quer é uma história divertida que não subestime sua inteligência.

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Pânico

Abril 29, 2009

No Egito, foi decidido que todos os porcos sejam sacrificados para evitar a chamada gripe suína. O bizarro é que ainda não foi confirmado que o vírus tenha se originado no animal. O mais provavel é que seja uma mutação surgida entre seres humanos. Está ai a primeira manifestação de pânico irracional em resposta à ameaça de pandemia. Outras virão, provavelmente mais destrutivas do que a própria doença.


Cenas de novela

Abril 29, 2009

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Um bom quadrinista… mesmo!

Abril 1, 2009

No ano passado, na última visita que fiz à Festcomix, além da feliz surpresa de encontrar o quarto álbum português de Sillage, também encontrei um trabalho sobre o qual eu estava devendo um post. Trata-se do álbum “Mesmo Delivery”, do paulistano Rafael Grampá. O achado foi bastante ocasional. Eu já estava de saída quando dei com um quiosque com quadrinhos nacionais. Convenhamos, muitos de nossos artistas ou apresentam uma verborragia umbilical que acreditam ser lírica, ou se aventuram em tentar criar uma identidade nacional para o gênero dos super-heróis. Mas deixar-se levar por esse raciocínio generalista seria preconceito e, por isso, dei uma paradinha frente ao quiosque. Não demorou que a capa de “Mesmo” chamasse minha atenção. Folheei o álbum e, em poucos segundos, minha compra estava decidida. Ou quase… Havia duas versões. Uma em inglês e outra em português. A mesma qualidade gráfica nas duas e, surpreendentemente a edição importada estava mais barata. Foi a que levei.

Ao invés da verborragia e dos heróis de tanga tupiniquins, encontrei uma história despretensiosa, coerente, rápida, ácida e divertida. Violenta, sim, mas intrigante e sem frescuras.

O desenho carrega as maiores qualidades de “Mesmo”. Estilizado e detalhado, ao mesmo tempo. As cenas de ação e violência são explícitas e o sangue que jorra dos corpos parece que vai escorrer para fora do papel. Não é banal. É brilhantemente incômodo. As brincadeiras que Grampá faz com as onomatopéias não são originais, mas são feitas com uma competência que eu não via desde os quadrinhos de Howard Chaykin.

Em seu blog (http://furrywater.wordpress.com/), Grampá anunciou que fará algumas páginas para a revista Hellblazer, desenhando John Constantine. Espero ansiosamente ver seu trabalho se espalhando além dessa participação especial. Merece.

Se eu fosse você, ficaria de olho nesse quadrinista.

grampa