Não preciso falar sobre a morte de Michael Jackson, não é? Você deve ter ouvido falar sobre isso. Deu em todas as emissoras de rádio e televisão, em todos os sites de notícias, em todos os jornais.
Quero pular essa parte e falar um pouco sobre os “especialistas”, palpiteiros e pseudocelebridades que se manifestam em horas como essas para honrar a memória do ídolo.
Glória Maria, por telefone para a Globo News, serviu como a “entrevistadora especializada”, que conversou pessoalmente com Michael Jackson. Um depoimente esquisito, para dizer o mínimo, onde a jornalista defendia “inocentemente” as maluquices do cantor. Concordo que o branqueamento da pele é perfeitamente explicável pelo vitiligo – existem tratamentos onde o que sobra de melanina é eliminado -, mas justificar as aberrações plásticas que ele pagou (acredito eu) para que fizessem em seu rosto e seu vício declarado em analgésicos, dizendo que são consequências do acidente sofrido durante a gravação de um comercial para a Pepsi… é um desrespeito aos sobreviventes de queimaduras sérias que, nem por isso, viciaram-se em morfina. E quando ela disse que as cirurgias no nariz foram para corrigir um desvio no septo?! Que septo, hein!? Convenhamos, esse é a desculpa furada mais usada para explicar correções de narizes de 9 entre 10 daquelas pessoas que reaparecem, depois das férias, com napas novas! O mais engraçado foi ouvi-la dizer que era fã dele, apesar de não curtir a música. Alguém poderia me explicar a lógica de uma pessoa que é fã de um músico e que não gosta da música do sujeito?
A duplinha axezenta, Ivete e Claudia, lançou notas à imprensa lamentando a morte do “rei do pop”. O.k…. e?
Uma bizarrice deprimente foram os telefonemas durante o programa da Luciana Gimenez, acompanhada de Nelson Rubens. Teve até entrevista com ex-Dominó (alguém realmente lembra deles? Sim? Parabéns… você está com espaço de sobra aí no cérebro).
Por algum motivo com que não consigo atinar, a gravação do clipe numa favela carioca e no Pelourinho, em Salvador, tem muito mais importância do que os shows que ele realizou três anos antes, em São Paulo. Provavelmente por que sobram imagens gravadas, que não foram possíveis durante os shows? Por que, em 96, ele teve mais contato com o povo, enquanto, anteriormente, o maior contato tenha sido o atropelamento de um fã? Pode ser.
Ao morrer, Michael Jackson recebeu mais atenção nas horas subsequentes do que nos últimos anos. E, como sempre, tem muita gente com inveja do morto…
Junho 29, 2009 às 4:46 am
Sinceramente, o Michael, se ele estivesse vivo, a primeira coisa que deveria ter feito era ser autêntico em suas declarações e não se importar com questões do que ele fez ou deixou de fazer em seu próprio corpo. Afinal de contas eu também, no lugar dele, com certeza, faria diversas cirurgias, pois sou cidadã, pago os meus impostos e dane-se a midia.