A esposa está de blog novo. Claro que eu tive que dar aquela forcinha para navegar pelo site do wordpress para ensiná-la a mexer nos comandos… e pagar o mico de me enrolar tanto quanto… Enfim…
O endereço é www.pretensaprosa.wordpress.com
Tem um post lá que eu gostei bastante e resolvi colocar aqui como amostra:
Mulheres Enroladas
Homem solteiro, bem empregado, bem-apessoado, bem resolvido, na faixa dos trinta, procura moça nas mesmas condições. Parece fácil, não? Com a escassez de homens héteros disponíveis, é claro que esse mancebo encontrará facilmente sua cara-metade. Mas não é isso o que acontece. Pergunte-lhe qual é o problema e ele responderá: “Todas as mulheres estão enroladas!”.
Muitas de nós protestarão: “Isso é mentira, não tenho ninguém, estou so-zi-nha!”. Tem certeza? Você pode dizer com absoluta segurança que é livre? Saiba que hoje em dia é muito difícil encontrar uma mulher solteira que não esteja enrolada de alguma forma.
O ex-namorado é um homem que recupera seus atrativos logo após a separação. As horríveis discussões tornam-se briguinhas saudáveis de casal; seus defeitos de caráter, antes intoleráveis, agora são manifestações compreensíveis de uma natureza humana falível; suas traições viram momentos de fraqueza; seu gênio de cão é apenas personalidade forte; o sexo egoísta e sem preliminares torna-se selvagem.
“Pôxa, mas não era uma droga?”, indagam os amigos ao ver-nos diante do telefone, os dedinhos coçando para discar o número do ex. “Talvez eu tenha sido muito inflexível”, respondemos, se fomos as autoras do pé na bunda. Se, no entanto, fomos dispensadas, nossa explicação para rastejar atrás do ex é perfeitamente lógica: “Ele só queria ficar um tempo sozinho, para repensar a relação, entende? Acho que três dias foi tempo suficiente”.
Nisso, passam-se os anos e o namoro intermitente prossegue, até que ele resolve se casar – com outra. Só então vem a constatação de que esse vai e volta roubou-nos um tempo precioso, durante o qual poderíamos ter encontrado alguém que valesse a pena. Isso se já não encontramos e descartamos, preferindo o sapato velho. Parece insensato? Mas muitas de nós interrompemos um novo e promissor namoro para nos reconciliarmos com o ex. Ou nem mesmo começamos outro relacionamento, deixando claro logo de saída que estamos presas a uma relação mal resolvida.
Acontece também de nosso rolo não ser com um ex-namorado, mas com um quase-namorado. Conhecemos um homem interessante num barzinho, ficamos. Dali a uma semana, ele nos liga, nos chama para sair, ficamos de novo. E de novo. E de novo. É namoro? Não! Só ficamos quando ele está com vontade (nós estamos sempre, é incrível) e nos contentamos com isso. Não o pressionamos para assumir compromisso, para dizer se é namoro ou amizade. Isso o assustaria. Então continuamos ficando, achando que, à medida que ele nos conhecer melhor, se apaixonará perdidamente, nos pedirá em namoro e, no devido tempo, em casamento. Se aparece um homem interessado em compromisso, em apresentar-nos para os pais e para os amigos, revelamos nossa condição de enrolada assumida.
Não somos burras: agimos burramente. Afundamos na ilusão e no autoengano, e deixamos de enxergar o óbvio: ex-namorados e quase-namorados são atraso de vida. Casos de reconciliações bem-sucedidas e de “ficadas” que viraram namoro sério são reais, claro, porém menos frequentes do que imaginamos. E enquanto estivermos enroladas, permaneceremos fechadas à possibilidade de um novo relacionamento.
Dê um basta aos rolos! Quanto àquele número de telefone que não sai da sua cabeça, empregue seus dedinhos em algo mais prazeroso.