Y – o último homem

Quem nunca viu aquela cena clichê em que a mulher esbraveja para o cara: “Eu não transaria com você nem que fosse o último homem sobre a Terra!”? Óbvio que, sendo uma situação manjada, os dois acabarão juntos em algum ponto da história.

Brian Vaughan elevou esse padrãozinho a outro nível ao criar a série “Y – The last man”. A premissa não é das mais complicadas. Algum fenômeno misterioso simplesmente exterminou todos os machos mamíferos do planeta. De uma hora para outra e ao mesmo tempo. Sobraram apenas o jovem Yorick e seu macaco Ampersand. Yorick é um artista “escapista”. Um Houdini nerd e sem emprego.

Se você é homem pode até pensar: “Um homem sozinho em um mundo cheio de mulheres? É o paraíso!” Não é o caso de Yorick. Primeiro, porque aquela frasezinha clichê que eu mencionei lá no início persegue o herói. Mesmo abandonadas em um mundo sem homens, muitas das mulheres que cruzam o caminho dele não fazem questão alguma de suprir sua carência com um qualquer só porque ele é o último proprietário de um pênis vivo sobre o planeta. Segundo, porque Yorick não é um dos caras mais estimulantes a caminhar sobre a Terra. Terceiro, porque ele é um idiota que está obcecado pela ideia de reencontrar sua namora (que ele acredita ser noiva).

O exercício de imaginar como grupos de mulheres reagiriam à extinção repentina do gene Y (daí o nome da série) é o ponto alto do quadrinho. Uma diversão bem escrita e (apenas) competentemente desenhada da Vertigo. A Panini acaba de lançar o primeiro volume encadernado, que corresponde às cinco primeiras edições. Você pode acompanhar a versão traduzida ou apelar aos encadernados importados. Seja como for, se você gosta de bons quadrinhos e boas histórias, aconselho a comprar “Y – O último homem”.  Diversão garantida e inteligente.

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