Resenha no Psychobooks

A seguir, a resenha escrita pela Alba para o blog Psychobooks:

Hoje vou falar deu um livro MARAVILHOSO e completamente ambientado no Folclore Brasileiro! Pra mim, que cresci lendo Monteiro Lobato, e tenho familiaridade com alguns personagens, foi delicioso, não… não é essa a palavra… Embriagante… =/ também não! Foi EXTASIANTE acompanhar Walter contando a história de Cira. Porque o Velho está no título, mas frente à força dessa personagem, ele é só um coadjuvante, uma escora… Um trampolim que leva Cira ao estrelato!

Bora conhecer mais dessa bruxa, e se deixe arrebatar, da mesma forma que ela me arrebatou!!

Edição: 1
Editora: Giz Editorial
ISBN: 9788578550851
Ano: 2010
Páginas: 232

 

Cobra Norato é um amante da vida. Pelas margens dos rios, espalhou paixões, filhos e filhas. Uma delas é Cira, que nasceu do ventre da bruxa Guaracy. Sua alegria de viver é tão intensa quanto seu ódio pelo homem que a deixou para morrer: o Velho. Domingos Jorge Velho é um caçador de homens. Ele toma a liberdade dos índios e a entrega aos brancos de além-mar. É um guerreiro, sem outra fé além do ouro e da propriedade. Cira caminha pelo País que surge, que é desbravado e desmatado. Ela persegue o rastro de Domingos. Ela encontra o ocaso da magia e a ascensão da pólvora. Em Palmares, os inimigos se enfrentarão e, nessa guerra, se descobrirá quem é o proprietário do novo mundo.

Compre aqui ou aqui! E Faça uma Alba Feliz! Comprando através desses links o livro vem AUTOGRAFADO!

Leia AQUI a promessa do Walter em me presentear com o livro “Cira e o Velho”. Minha felicidade está em suas mãos, caro leitor!! \o/

Comentários:

Falei lá em cima de Monteiro Lobato, mas esqueça qualquer relação com o universo infanto-juvenil focado nos livros dele. Aqui, o folclore brasileiro é erótico, sensual, cheio de disputas de egos. Traições e subterfúgios são comuns durante toda a leitura, os personagens engabelam desde os amantes, até a morte.

Cira é filha de Guaracy -  uma bruxa – e Norato, cria de humano com cobra.

Norato e sua Irmã, Maria Caninana nasceram de uma índia que foi seduzida por uma jiboia à beira do rio e foi morta pelas mãos do companheiro ao ser pega amamentando as duas crias.

Num acordo com o “Senhor das Mentiras”, Maria Caninana pede a habilidade de se transformar em humana para matar o ex-amante e assassino de sua mãe em troca de catorze de suas crias e catorze das crias de seu irmão, Norato. Aí a trama se desenrola, e aí que conhecemos o Velho.

Domingos Jorge Velho é um além-mar, assassino, mercenário. Está pronto para cumprir qualquer acordo e não pestaneja ao aceitar a tarefa de dar cabo dos dois últimos filhos de Norato para que a dívida de Maria Canina esteja, enfim, sanada.

E Cira é filha de Norato e de uma bruxa da floresta que tem parentesco com as sereias. Uma bruxa capaz de enganar a morte! E a tarefa que parecia fácil, se torna difícil, e se cria uma vendeta! E essa vendeta vai ter um palco inesperado. A Guerra dos Palmares.

morte “A Morte não tolera ser feita de boba. Quando percebeu que Guaracy havia feito alguma magia para enganá-la, bateu os pés no chão, como uma criança injustiçada, e jogou uma maldição sobre a bruxa e sua filha.

(…) _Se é assim, as duas vão ficar aqui! Mãe e filha. Vocês vão me chamar, mas eu não vou atender, estão ouvindo? Não quero mais saber de vocês! Não quero! – E se foi.”

Página 78

Walter recheia o livro com lendas e personagens magníficos. Curupira aparece corrompido pelo vício e pronto a entregar qualquer informação por um pouco de fumo ou nos tempos modernos por uma carreira de cocaína. Os Bichos-reis são um espetáculo à parte: Cada animal tem um rei como seu representante, e eles, como senhores da floresta estão ali para dispôr de informações da maneira como bem entenderem. Ajudando ou atrapalhando os personagens centrais da trama.

cira armada Cira é uma alma livre, conhecedora de magia e astuta na luta. Com o crânio de seu pai empoleirado no ombro ela leva medo e esperança por onde passa. Capaz de aniquilar um exército inteiro, e incapaz de morrer, Cira se junta aos negros do Palmares contra seu pior inimigo e carrasco: O Velho!

Toda a história é contada por um narrador anônimo, que sai, nos dias atuais, atrás de pistas da Cira, sedento por saber mais sobre a bruxa e suas peripécias.

Nhá é uma de suas fontes, ela estava na Guerra dos Palmares, foi amante de Norato e companheira de Cira em suas aventuras. Hoje em dia uma lenda na cidade em que vive e crente que está tocada pela maldição de sua amiga Bruxa, ou seja, incapaz de morrer:

“Diz dona Nhá que andou ao lado de Cira, quando era menina. Ela conta que foi o sangue de virgem dela, de dona Nhá, quando era menina nova, que desfez a magia que prendia a Cira na árvore. A tal da árvore era a mãe dela, transformada… Não é fantástico?”

Página 14

Entre lendas e fatos, passado e presente, Walter nos leva por um mundo de magia em companhia de um bruxa encantadora. A história real, contada pelo prisma do folclore é inebriante! Mboitatá, Curupira, sereias… Todos os seres do folclore brasileiro estão ali inseridos! Só senti falta do Saci… Acho que ele poderia ter dado o ar da graça e aprontado alguma das suas durante a história!

5estrelas

 

Bom, e o negócio foi que eu fiquei tão EMPOLGADA com a leitura que não me satisfiz em apenas resenhar o livro, resolvi mandar algumas perguntas pro Walter pra saber se arrancava dele alguma novidade envolvendo Cira e seu mundo Fantástico! Vamos ver o que ele tem a nos dizer:

 

Alba – O que o levou a escrever focado no folclore brasileiro?

Walter – Falar sobre folclore brasileiro foi natural para mim. Na hora que pensei “quero fazer algo como o “Senhor dos Anéis”, a primeira coisa que me veio à mente foi seguir a lógica de Tolkien. Ou seja, criar um mundo imaginário utilizando elementos da mitologia do meu país. Ele fez isso com a cultura céltica. Eu queria fazer com o folclore brasileiro. Na primeira versão do livro, quando ainda era uma história em quadrinhos, eu lembro de ter redesenhado o mapa do Brasil, como se fosse um mundo paralelo ou coisa assim, com sua própria história. No meio desse processo, eu parei e pensei “que diabos eu estou fazendo? Para quê fazer o leitor entrar em outro mundo? Já tem a Terra Média de Tolkien e a Era Hiboriana de Howard. Pare com essa pretensão. Conte uma história e pare de ficar criando realidades alternativas. Olha o mundo ai, cheio de histórias esperando para serem contadas.” Eu reconheço que algumas lendas e personagens são simplórios, se comparados aos grandes dragões, elfos, magos, vampiros… mas nada que um pouco de imaginação e manipulação não resolvesse. Curupira não é um personagem ruim, infantil. Só faltava alguém enxergá-lo com outros olhos.

Alba – Cira é uma personagem forte e com grande apelo, conquista na primeira “lida”. Pretende escrever algo mais em que ela seja a protagonista? Afinal, temos aí 400 anos de histórias não contadas!!

Walter – Cira é uma mulher muito forte. Gosto de personagens assim. Eu já estou trabalhando em um segundo livro da Cira e, nos intervalos, escrevo alguns contos. Não sei o que farei com eles. Se os espalharei em futuras edições, se reunirei para um livro… tudo depende de como o primeiro e o segundo livro da Cira sejam recebidos. O segundo sairá. Não sei quando, porque é um texto que exige muita pesquisa, mesmo que eu não tenha o compromisso de ser fiel à História oficial brasileira.

Alba – Está trabalhando em algum livro no momento? Fale-nos um pouco sobre seu projeto.

Walter - Sou lento para escrever, porque sou exigente. Capricho mesmo. Eu realmente acredito que o tamanho de um livro é inversamente proporcional ao tempo que o autor se dedica a ele. Desde a primeira versão, cortei tanta coisa que era irrelevante… Escrever é uma arte que pede muita lapidação. Pelo menos, é assim que escrevo. Além desse segundo livro da Cira, estou trabalhando em outro texto que ainda não decidi se será um conto ou um livro. É uma história diferente, atual e urbana. Também comecei o trabalho de pesquisa para um livro de ficção científica. Esse, com certeza, vai demorar mais de dois anos… para eu começar a escrever. Então, já viu…

Estou amadurecendo algumas ideias, mas não há nada concreto. Vou resistir o quanto der escrever sobre vampiros. Não tenho muito interesse. Nem em mashups. Até escreveria algo com zumbis, mas ainda não tive nenhuma ideia empolgante e não me interessa ficar requentando temas. Já considerei seriamente escrever um livro erótico, mas preciso testar e treinar mais essa seara.

Alba – No final de cada resenha, indicamos uma “playlist” com as músicas que achamos ser a “cara” do livro. Eu não consegui tirar da cabeça “O Vira” dos Secos e Molhados [apesar de ser muito animada... Imaginava a Nhá e a Cira cantando na floresta]. Alguma música que tenha te inspirado?

Walter – “O Vira” é perfeito!

Um pouco complicado eu indicar músicas, porque não tenho um gosto muito eclético, não. Em geral, ouço muito rock. Mas vá lá:

Cabeça dinossauro, Saia de mim e Nem sempre se pode ser Deus – Titãs

Índios – Legião Urbana

Nocturne – Rush

Run to the hills – Iron Maiden

Quando a maré encher – Nação Zumbi

Manguetown – Chico Scienci e Nação Zumbi

Mas você disse “apesar de ser muito animada…” mas eu vejo Cira como uma mulher que, apesar de tudo, é apaixonada. Por tudo.

Bom, deixo vocês com essa Playlist pra lá de especial que o Walter indicou e uma recomendação: Leiam “Cira e o Velho” e se encantem da mesma forma que eu me encantei!!

——————————————————————————————————–

E será que rola sorteio do livro??

Isso depende de vocês! Minha primeira exigência, que esse post tenha 20 comentários. Mas não é qualquer comentário. Quero que você leia a resenha e junto com seu comentário e nome de seguidor do twitter, deixe a frase nesse post:

“Eu tenho medo de [coloque aqui uma lenda que tenha sido mencionada na minha resenha]”

Minha segunda exigência, também obrigatória, é que você nos siga no twitter:

Walter TiernoPsychobooks

Feito isso, acessem o POST no blog do Walter Tierno, leiam atentamente e esperem pela pergunta que ele vai fazer pelo twitter DELE! (tudo será devidamente avisado). A primeira pessoa que twittar a resposta para o twitter do Psychobooks, leva o livro “Cira e o Velho” para casa. \o/ Bora??!!

 

Obrigado à galera que  faz o Psychobooks e, em especial, à Alba.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.