No dia 16 de outubro, sábado, a equipe da Revista Fantástica realizou seu primeiro evento aberto ao público. Para isso, escolheram adaptar seu podcast semanal, o “Papo Fantástica”. Foi uma ideia feliz. A Livraria Cultura cedeu um belíssimo espaço em sua loja no Shopping Central Plaza (que fica ao lado do Shopping Morumbi).
Não foi o pior dia para se realizar o evento, mas houve alguns contratempos. Em primeiro lugar, o clima paulistano. Chovia no momento em que a maioria das pessoas deslocava-se para a livraria. O trânsito não estava nada convidativo. Eu, por exemplo, tive problemas para chegar no horário. Outro fator foi a concorrência com o evento “Festcomix” que é ansiosamente aguardado pelo público leitor de quadrinhos. E tem muito leitor de literatura fantástica que não perderia uma Festcomix. Na verdade, muito autor também.
Mesmo assim, a frequência foi respeitável. E o papo correu solto. Tanto que a hora programada para a discussão dos temas acabou se tornando duas!
O papo Fantástica é comumente realizado com a presença de um convidado. A vítima da vez foi Erick Sama, editor da Draco, editora especializada em literatura fantástica. A “equipe fantástica” era formada por: Luiz Ehlers, editor chefe da revista Fantástica e que falou diretamente de Porto Alegre, via Skype; o diagramador da revista, Felipe Pierantoni, que também participou via Skype do Rio de Janeiro; Leandro Schulai, autor de “Vale dos Anjos“; Alba Milena, do blog Psychobooks e a relações públicas da revista, Carol Chiovatto.
Os temas abordados foram:
1- A importância da leitura de obras clássicas na formações de autores e leitores (proposto por Dhyan Shanasa – GO)
Entraram em pauta vários pontos de vista. O Erick Sama defendeu que os autores têm obrigação de conhecer textos básicos e citou a Dialética de Aristóteles. Uma menina da plateia (peço desculpas por não ter anotado seu nome) surpreendeu os participantes dizendo-se fã de Machado de Assis. E ela só tinha 15 anos. Nessas horas, é inevitável cair nas discussões básicas: “o que é clássico?” “As crianças não gostam porque são obrigadas.” etc, etc. Particularmente, acredito que, paradoxalmente, os professores tendem a ser os piores incentivadores à leitura. Tentam empurrar nas goelas dos jovens obras que eles não estão preparados para absorver. Eu, ainda criança, aprendi a gostar de leitura através de livros divertidos, como os da coleção Vagalume e outros do gênero. Mais tarde, não foi tão sacrificante conhecer textos mais complexos.
2- Escolhas editorias – quais os critérios das editoras para a escolha de uma obra?
Erick Sama foi sabatinado sobre as razões que o levaram a escolher algumas das obras publicadas pela Draco. Entre elas, “Neon Azul”, sobre o qual já falei aqui, “O desejo de Lilith” e “Guerra justa”. Basicamente, Erick disse que procura originalidade nos trabalhos e ofereceu um conselho valioso aos autores iniciante: Entregar a obra mais acabada possível.
3- Qual a responsabilidade da editora da promoção do livro? (proposto pelos organizadores do Sobre Livros – PR)
Erick Sama deu uma resposta surpreendente. Ele defende que a divulgação do livro depende da editora. É o tipo de declaração que vai na contra-mão do que dizem editoras de tamanho semelhante. Mas a Draco funciona como uma exceção no mercado. É uma editora que produz “sobre demanda”, mas com recursos próprios. Assim, ao invés de receber o material de um autor que quer bancar o próprio trabalho, é a Draco que escolhe o que publicar e imprime pequenas quantidades.
4- Nomes de autores vendem livros?
Parece que a intenção da pergunta foi entender se os escritores estabelecidos podem amargar problemas com o mercado se deixarem a qualidade de suas obras cair ou se tentarem trabalhar em temas que nada têm a ver com aquele que os consagrou. Exemplificou-se a aposta de André Vianco no gênero policial. Pairam dúvidas se ele deveria arriscar outras veredas além do terror e fantástico que cementou sua bem sucedida carreira. Uma conclusão óbvia a que todos chegaram: Mesmo que um nome venda, se a qualidade da obra não for boa, não há fama que resolva!
5-Qual o impacto dos ebooks no mercado editorial? (proposto por Mariana do blog Psychobooks – SP)
Esse é um assunto constante em debates literários e, pelo que entendi, já foi amplamente discutido entre os integrantes da revista Fantástica (ainda não escutei todos os programas). Cabe aqui um conselho a eles: convidem Ednei Procópio para conversar sobre o assunto. Em meia hora, ele os fara ver essa tal “onda que vai acabar com os livros” de um jeito bem diferente.
Terminado o evento, foi hora de pagar minhas dívidas com a Alba e com a Carol. Afinal, um bom chantagista tem que cumprir sua parte.
Também troquei livros com o Leandro Schulai e fiquei até quase meia noite conversando com o pessoal.
Diversão garantida para quem gosta de falar sobre literatura, fantasia, cinema etc. Vale.
Pena que, por algum problema técnico, o programa não foi gravado e vocês não poderão conferir como foi.
Mais um motivo para não faltar, na próxima vez! Vai que não conseguem gravar, outra vez…




Caro Walter parabens pelo post! Eu que me encaixo nos que infelizmente não puderam comparecer dessa vez e fiquei só na vontade de ouvir o audio depois … Mas ja dei bronca no Schulai e vou pentelhar eles para que da pxm vez a gente consiga gravar tudo pra quem não puder aparecer pelo menos possa conferir de casa como foi… (Mas respondo por mim e se Deus quiser em Novembro estarei la \o/) Beijo grande e até a pxm!
Achei ótima a resenha! Já pra nossa página do Facebook!
O problema técnico se chama “Schulai”. O safado não apertou o botão “gravar” =´(
hahahhahahaahahahahahahahah
Que bom que gostou. Conto com você, Catarina e Veri no dia 27 de novembro! =D