Procuro evitar o máximo que posso as frases: “Esse livro é obrigatório!”, “Você tem que assistir a este filme!”, “Como assim, você não conhece esta música?” ou outras imposições do gênero. Algumas obras possuem a virtude da universalidade, de expressar algo impresso na consciência coletiva ou são atemporais. Dai até a obrigatoriedade… há um longo caminho (que fique claro que estamos falando de obras de arte, não manuais de instrumentação cirúrgica)!
Digo isso para explicar minha postura sobre o preconceito a que “Cira e o Velho” acaba sujeita, por se tratar de uma obra que utiliza elementos do folclore nacional em um momento histórico real. Não é incomum eu escutar: “Não gosto de folclore brasileiro” ou “Não curto História”. É fácil render-me à tentação de considerar isso uma injustiça, de bradar que as pessoas têm que experimentar, dar uma chance e outras tolices do tipo. Querem saber? Não têm.
Seria uma hipocrisia sem precedentes se eu dissesse coisas desse tipo. Afinal, eu também quero ter o direito de dizer: “Esse assunto ai não me interessa.” (principalmente quando me oferecerem livros sobre vampiros ou, imensamente pior, auto-ajuda).
Tem curiosidade por “Cira e o Velho”? Agradeço. Não tem o menor interesse? Tenho a dizer que, se der uma chance, não vai se arrepender, mas sou suspeito. Veja a opinião de quem já leu, nos blogs etc. Mesmo assim, não se convenceu? Ok. Espero sinceramente que, no meu próximo livro, eu tenha a sorte de abordar um assunto que seja de seu interesse.
Basta tantas cobranças que sofremos diariamente. Não vamos trazê-las para nosso entretenimento.


