Mudanças

 

Somos todos únicos. Igualmente diferentes. Não poderíamos escapar da sina de ter várias particularidades comuns a todos, poderíamos?

Igual a todos, sob um ano de mudanças, pressão e tensão, chega um momento em que é preciso parar tudo, retrair e analisar. Para mim, 2010 foi um ano sob mudanças, pressão e tensão. Não foi proposital. Pelo menos, não conscientemente.

Para começar, em janeiro, abandonei uma empresa que teria julgado promissora e pela qual havia trocado a Jimenez, agência em que trabalhara quase dez anos. Felizmente, fui recontratado e ganhei folga financeira para a segunda realização do ano: “Cira e o Velho”.

Trabalhei nesse livro durante um bom tempo. Alguns anos, na verdade. Durante 2009, havia enviado o texto para diversas editoras e a única a responder positivamente foi a Giz Editorial. Vale dizer que não foi para bancarem a edição, mas eu nunca tive pretensões a esse respeito. O mercado literário está cada vez mais difícil. Quem é louco em apostar em um livro com lendas e história nacionais quando vê as vendas vampíricas, angelicais, élficas, dragonescas, britânicas ou nórdicas? Tenho a meu favor – falsa modéstia, agora, seria hipocrisia – a qualidade de meu texto e o trunfo de cada leitor que se arrisca ser surpreendido pela proposta e estética de Cira. É uma luta árdua, mas não exige mais do que muita paciência.

Em novembro, Catarina veio ao mundo. Já escrevi um post sobre o início de minha aventura paterna. Não pretendo me repetir. Cabe apenas dizer que a vida muda muito. Hoje, não tenho dúvidas sobre o que é ser feliz e muito sortudo.

No começo de dezembro, a grande decisão, que vinha adiando há algum tempo: Mudar a carreira.

Pretendo não trabalhar mais de forma tão direta no ramo publicitário. “Freelances”, ilustrações e afins, claro, serão procurados e bem-vindos, mas tentarei com todas as forças manter-me longe da rotina contratada de agência ou marketing. Veremos se consigo.

Podem ver o turbilhão que foi meu ano? Não é de se espantar que agora, perto do final, eu precise recolher as armas. Os sinais já estão ai: Emito opiniões que não foram solicitadas, irrito-me com tolices banais, intolero a mediocridade. Espero não permanecer nesse estado o tempo suficiente para destruir qualquer amizade, seja nova ou velha. Cabe, aqui, pedir aos que convivem comigo: tenham paciência. Em poucos dias, voltarei ao meu normal.

Aproveito para agradecer aos que estiveram presentes em minha vida nos momentos mais necessários, aos que ofereceram bons conselhos e aos que contribuíram da forma que lhes foi possivel. Meu amor por minha família continua inabalado e isso é muito mais do que almeja a maioria dos homens que se consideram felizes.

2010 acaba, para mim, como um marco. Vejamos o que reserva 2011.

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