Os participantes do “Papo Fantástica”, um podcast produzido pela galera responsável pela “Revista Fantástica” são Luiz Elhers (editor da Revista Fantástica), Alba Milena (do blog literário “Psychobooks”), Leandro Schulai (autor de “Vale dos Anjos”) e Felipe Pierantoni (responsável pela diagramação da revista e autor de “O Diário Rubro”). Recentemente, fui convidado a completar a trupe. As gravações ocorrem às segundas-feiras, via Skype. O primeiro programa em que participei teve Eric Novello (autor de “Neo Azul” e colega com quem já dividi o palco na “Fantasticon” de 2010) como convidado. O formato do podcast é esse: sempre um convidado do círculo literário, da internet, de editora etc. Houve um redirecionamento editorial do programa e, agora, com participação ativa do Luiz, está sendo chamado de “segunda temporada”. É justo. Afinal, de agora em diante, o convidado terá mais espaço do que os assuntos gerais, como era o formato anterior.
Regularmente, também é realizado o “Papo Fantástica ao Vivo”. Como o próprio nome diz, é um evento realizado ao vivo, com a vantagem de rolar em espaços bastante interessantes. Os dois primeiros foram na Livraria Cultura do Shopping Market Place. O terceiro, na biblioteca Virato Correa, onde também acontece a “Fantasticon”. Foi um evento especial. Não só pelo local emblemático para a galera que curte literatura fantástica, como também pelo convidado da vez: Silvio Alexandre, editor do selo “Novos Talentos da Literatura Nacional” da editora Novo Século. Para mim, foi particularmente emocionante, pois foi a primeira vez que participei lá na frente, junto com o resto do elenco. No dia, estavam o Schulai, a Alba e a Carol Chiovatto, que cuida da divulgação da “Fantástica” nas redes sociais.
O Silvio Alexandre também é organizador da “Fantasticon” e tem um currículo profissional em editoras que é difícil não admirar. Foi pioneiro ao trazer textos inéditos e novelizações de séries como “Star Trek” e, principalmente, “Arquivo X”. Também publicou autores como Orson Scott Card e Robert E. Howard, entre outros e envolve-se constantemente com trabalhos em quadrinhos. Contra, tem minha desconfiança de que ele fala “klingon”. Ele nega. Espero que saiba que, além disso, também o infernizarei com piadas sobre a negativa em dizer quando se formou em Letras pela USP.
Silvo também tem muitos conselhos valiosos e os compartilhou com quem teve a sorte de comparecer ao evento. Deu uns toques para autores iniciantes, deixou clara a posição dos editores e das editoras no recebimento de originais e defendeu a posição de autores que acabam tendo que produzir suas obras. Essa é uma posição delicada, não só para os editores, como para os autores. Não vou entrar nessa polêmica agora. Prefiro concentrar-me em algumas sugestões que autores iniciantes deveriam prestar atenção:
- Apresentação de originais: Você não precisa mandar encadernar seu livro em capa dura, com fios de ouro, para impressionar os editores (Ok, o Leandro Schulai chegou perto mas, ao menos, demonstrou esmero. E o que fez diferença mesmo foram os bombons que ele enviou junto com o original. Toque de gênio. Não tentem imitar, porque a ideia já foi usada). Também, não é por isso que você vai enviar um original todo rasurado, com as folhas soltas ou presas por um elástico, sem numeração… Um pouco de capricho não vai te matar. Coloque letras legíveis, como a “Times” (de preferência) ou “Arial”, em tamanho razoável: 12 (preferencialmente) ou 11. Mande encadernar com espiral e acrescente uma carta de apresentação, dizendo sobre o que trata a sua obra, qual a intenção dela e um breve resumo. Seja sucinto nessa carta. E nunca, jamais, em hipótese alguma, deixe de colocar seu nome e forma de contato, tanto na carta quanto no próprio original. O envelope enviado é a primeira coisa jogada fora!
- Cuidado com o texto: O Silvio indicou a utilização de leitores críticos profissionais. Afinal, confiar na opinião de amigos, parentes e até professores da faculdade é um erro. Quando e se o seu livro sair, será examinado por pessoas que não fazem parte de seu círculo de relacionamento e, portanto, não terão o menor pudor em apontar os defeitos do seu trabalho. Melhor saber o que pode dar errado antes de imprimir ou mesmo enviar seu trabalho às editoras. Lembre-se que os editores só o lerão uma vez. Mesmo que você corrija todas as bobagens e reenvie à mesma editora, o cara que vai avaliar já tem o seu nome e o nome da sua obra marcada em uma planilha e vai dispensá-la sem se importar se você a transformou em uma obra-prima. O motivo é simples: as editoras recebem uma média de 15 originais POR DIA para avaliação. Outra dica importante: revisão é feita por revisores profissionais. Não passe para o seu professor de gramática. Busque ajuda profissional! É uma fase do processo mal reconhecida e de suma importância.
- A avaliação: Silvio Alexandre não perdeu tempo com respostas condescendentes, o que foi ótimo. Ele abriu o jogo e disse que a avaliação do original acontece com uma leitura dos primeiros capítulos, seguida de uma olhadela nas páginas seguintes, só para conferir se ocorre alguma bizarrice. A maioria dos originais é descartada logo de cara. Portanto, e faço coro na afirmação, tomem cuidado com o início de seus livros, por razões óbvias. Não é só o editor que você tem que conquistar. O leitor, também!
Houve bastante interação do público e sorteio de vários livros e brindes. A Novo Século enviou bastante coisa para sortear. Eu levei um livro e uma caneca. O livro foi para uma fã de literatura fantástica, a Denise, que é agrônoma e ecologista e que presta serviço cuidando de bichos de estimação. A caneca foi para uma figura que estava por lá, cambaleante e eufórico… provavelmente, sem saber bem onde havia entrado. Embora não tenha gostado muito do presente, pediu a todo mundo que assinasse a caixa e desconfio, pelo aroma alcoolizado, que vai utilizar bastante a caneca.
Conheci e troquei livros com Alfer Medeiros (“Fúria Lupina”), Bianca Briones (“Entre o Amor e a Amizade”) e Mare Soares (“Chantilly”). Havia também algumas representantes da blogosfera, como a Daniele Vintecinco (“Olhos de Ressaca”) e a Priscila Braga (“Bookaholic”) e a Tata (“Psychobooks”).
O próximo “Papo ao Vivo”, ao que tudo indica, não acontecerá em São Paulo. O local exato ainda será revelado, mas vai acontecer em uma loja da livraria Cultura. Eu, provavelmente, não estarei presente fisicamente mas, se for possível, darei meus palpites não solicitados via Skype.
Enquanto isso, acompanhe o “Papo” gravado. Valeu!


