Sobre o Tucson

Maio 2, 2009

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Um poema de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

Fevereiro 2, 2009

Poema em linha reta

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Anardeus e a moda

Janeiro 29, 2009

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A opinião de Anardeus sobre SUVs

Novembro 8, 2008

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- O tamanho do carro de um sujeito é inversamente proporcional ao tamanho do pinto.


Coisas sobre Anardeus

Julho 7, 2008

Anardeus não é homofóbico.
O que ele não tem é saco para agüentar enrustidos que não têm coragem de assumir sua preferência e descontam sua frustração em qualquer pobre-coitado que cruza sua linha de tiros.
Anardeus não discrimina ninguém por ser homossexual. Se ele não gosta da Ellen Degeneres, não é por ela ser lésbica. É porque ela é chata mesmo.

Anardeus sabe o que se esconde no coração das pessoas.

Fevereiro 22, 2008

Enquanto isso, em uma palestra:

– (…) porque, nesse mundo corporativo globalizado, o upgrade constante vai estar sempre em up. Se o profissional pretende atingir seu target com eficiência, o mainstream tem que ser sempre ali, ok? Sempre ready. O blue ship… Sim, você tem uma pergunta?

-Você vive com vontade de dar a bunda, né não?


Anardeus e as teorias conspiratórias

Janeiro 28, 2008
Anardeus vive em um vórtice cármico/cósmico. Mesmo sem fazer a menor questão, acaba tendo contato com provas incontestáveis das teorias conspiratórias mais importantes da humanidade.
Para Anardeus, não existe esse lance de acreditar. Ele SABE das coisas. Mas não dá muita bola…
O homem nunca pisou na lua. As imagens mostradas pela TV não passaram de uma encenação, filmada em algum canto muito bem escondido.

- Achei esses bagulhos lá no Acre.
Anardeus também encontrou, num acaso pra lá de improvável, o crânio de Ulysses Guimarães, o corpo embalsamado de Paul McCartney, um pedaço do intestino do ET de Varginha e fez uma jam session com o Elvis numa boate da rua Aurora.
- E o Rio Branco é uma cidade cenográfica. A galera da Globo vive fazendo festa do cabide lá.

Histórias de Anardeus

Janeiro 17, 2008

Aos 15 anos, Anardeus ingressou em uma comunidade chamada “Voluntários”. O grupo tinha esse nome por defender a extinção voluntária da humanidade. Para tanto, defendiam a idéia de se parar completamente a reprodução.

- A idéia parecia boinha…

Para evitar a concepção de seres humanos, as mulheres valiam-se de doses cavalares de anticoncepcionais, tomadas religiosamente aos sábados. Os homens vestiam duas camisinhas.
Embora todos fossem pessoas com grau de instrução elevado, principalmente seu líder, que era formado em publicidade, desconheciam dois fatos: 1 – Duas camisinhas não protegem mais. Estouram. 2 – Anticoncepcionais não devem ser tomados uma vez por semana. Não importa a dose.
Quando os primeiros rebentos começaram a chorar e encher o saco, o líder acabou deposto e, em seu lugar, ascendeu um dos integrantes mais radicais, a exemplo do que acontece na maioria das sociedades em crise.

- Isso vai dar merda…

A idéia defendida por esse novo líder foi darem um passo mais agressivo na defesa da extinção voluntária da humanidade: suicídio em massa.
No dia escolhido, copinhos de papel com uma cápsula de cianureto foram distribuídos a todos, até às crianças e, num gesto dramático, todos engoliram suas cápsulas e morreram. Inclusive o novo líder.
Anardeus recusou-se a tomar sua dose.

- Aí já é viadagem!

Como único sobrevivente, Anardeus remodelou a filosofia dos voluntários. Ele ainda defende a extinção voluntária dos seres humanos, mas acredita que, enquanto continuar existindo, a humanidade deve simplificar a vida moderna.

- Só não mexe no meu MP3.

Anardeus defende irrestritamente os animais e as plantas. Prega a extinção dos governos, das religiões e dos desenhos animados em 3D.

- Menos o Shrek.


A alma salva de Anardeus (Ele sempre aperta o crtl+S)

Janeiro 3, 2008