Perigos do Autoajudismo – parte 1 – Foco

julho 11, 2010

Existe uma máxima do “autoajudismo” que celebra a concentração extrema no objetivo. Também conhecida como “manter o foco”. Segundo o tal conceito, se uma pessoa quer alcançar algo, deve usar viseiras de cavalo e não se desviar um milímitro sequer do caminho traçado. “Se você quer muito uma coisa, siga em frente, atropelando qualquer obstáculo que se atreva a aparecer e não tire os olhos do tesouro que está ali no horizonte, no final da estrada.”

Não passa de mais um daqueles conceitos de livros de autoajuda que, além de não ajudarem porcaria nenhuma, ainda são prejudiciais aos ingênuos que acreditam neles.

Para começar, falemos sobre o tal caminho que você traça para alcançar seu objetivo. Quem disse que ele está correto? Que você tem a receita para aquilo que almeja? De onde você tirou essa certeza absoluta? Você tem tanta arrogância que acredita ter a receita definitiva para conquistar seu desejo?

Se você se enganou sobre o caminho que traçou, o fato de se concentrar obsessivamente tem como consequência mais comum só saber que errou quando quebrar a cara. É como andar por uma estrada que termina em um desfiladeiro. Você, no entanto, tem certeza de que ela dá acesso a um tesouro. No meio do caminho, há várias placas avisando do perigo à frente, várias vias de escape, desvios… e você ali, seguindo em linha reta, atropelando tudo e todos, achando-se o máximo, entoando mantras, acelerando.

“Manter o foco” é um troço perigoso. O tolo que segue suas certezas absolutas se fecha.

Viram o que aconteceu com a seleção? Focados, fechados, confinados e concentrados. Derrotados. Adiantaram as palestras do guru Augusto Cury? Ou sua frase: “Parabéns, Dunga. Você encara cada ser humano como uma estrela viva no teatro da existência”? Não. Quando surgiu uma adversidade concreta, desabaram. A pressão que carregaram nos ombros e chuteiras não veio só dos milhões de torcedores. Veio deles. O que presenciamos foi um time de iludidos concentrados que não estavam preparados para o erro, para o fracasso, para dificuldades reais e inesperadas. Um time que tinha certeza de vitória, que dirigiu em direção ao desfiladeiro.


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