Up – Uma aula

Setembro 16, 2009

“Up”, a nova animação da Pixar, é uma aula de cinema-família. A parte inicial, onde são apresentados os personagens e a sequência em que a vida do casal é sintética e genialmente apresentada é digna das grandes cenas de Charles Chaplin. As nuvens em forma de bebês, para que o espectador entenda o desejo de terem filhos, foi a solução mais simples e bem sacada desde Wall-E.
Isso, sem falar nas emoções alternadas que assolam o espectador a cada minuto: “Riso, choro, riso, choro, riso, riso, choro, riso, riso, riso…”
Furos de roteiro são mais do que perdoáveis. Afinal de contas, estamos falando de um velhinho que levanta a própria casa usando balões (a comparação com o caso do padre, de tão óbvia, desculpe dizer isso a quem insiste em fazê-la, é sem-graça). E liberdades criativas dão tempero. Nessas horas, lembro-me sempre da velhinha que atravessou o oceano Atlântico em um pedalinho no “Bicicletas de Belleville”.
O curta que antecede o filme é um aquecimento divertido para o que vem a seguir. Se você tem bom humor, provavelmente assistirá ao início de Up com dor na barriga, de tanto rir.
A dublagem é um caso à parte. Não haveria problema, mesmo que fosse medíocre, porque boa parte da história é contada por imagens. Mas não é o caso. O trabalho de dublagem é excepcional. A voz de Chico Anísio encaixa-se perfeitamente ao personagem e é possível perceber que ele realizou o trabalho com prazer (se não for verdade, pelo menos, fez parecer).
Se você ainda não foi assistir, vá.

Ah, sim, eu ia esquecendo…

Esquilo!

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Watchmen o filme (em DVD e Blue-ray)

Setembro 7, 2009

Zack Snyder se apresenta como um diretor “visionário”, no mais descarado exemplo de falta de modéstia. Ele tem dois fetiches bastante marcantes. Um, o de apresentar cenas de ação em câmera lenta. O outro, de escolher obras nerds. Seu primeiro filme de destaque foi “Madrugada do Mortos”, uma versão de um dos filmes de César Romero sobre (quem diria?) zumbis. O segundo a chamar atenção foi “300″, uma adaptação quase fiel dos quadrinhos de Frank Miller que não é nada fiel ao acontecimento histórico que tenta retratar: a batalha de Termópilas entre gregos e persas. Esse filme dividiu opiniões. Eu, particularmente, aprecio a obra de Frank Miller. Por vários fatores – que não cabem serem expostos neste momento -, não tenho a mesmo boa-vontade com a adaptação de Snyder.

Watchmen, o filme seguinte, provocou a mesma situação. Afinal, adaptar a história em quadrinhos mais marcante do século anterior não era tarefa fácil. Muitos embaracaram na ideia e desistiram logo no início do processo. Snyder foi até o fim. Alan Moore não aceitou ter seu nome vinculado ao filme, pois não acreditava que Watchmen funcionasse fora dos quadrinhos, mídia para a qual foi criada. 

Provavelmente ele tenha razão. Muita coisa ficou de fora. Muitos detalhes foram trocados, ignorados ou corrompidos. Mesmo assim, se você está pensando em assistir, agora que o DVD foi lançado, vale uma olhada. Se existem defeitos, pelo menos, também existem qualidades. E, num mercado de adaptações representado por: ”Wolverine”, “Gi-Joe”, “Transformers”,  ”Quarteto Fantástico” e “Homem-aranha 3″, Watchmen acaba servindo como um oasis.


Watchmen, o filme

Março 9, 2009

Em um post anterior, manifestei preocupação com a produção de um filme de Watchmen, a genial obra de Alan Moore (http://waltertierno.wordpress.com/2008/08/02/watchmen/). Zack Snyder, o diretor, já havia trabalhado com outra adaptação de quadrinhos: 300. Admiro o trabalho de Frank Miller, o autor de 300, mas tenho a devida consciência das “liberdades artísticas” que ele tomou em sua visão da batalha de Termópilas. Zack Snyder apanhou essa visão e a apresentou como um videoclipe épico. Você pode odiar ou adorar o filme. Pode admirar ou esculachar o trabalho de Frank Miller, mas o que não se discute é que as inserções feitas pelo diretor Snyder destoaram completamente tanto da linguagem proposta pelo filme quanto das intenções de Frank Miller e não contribuíram em nada com o espetáculo. Na verdade, foram mesmo constrangedoras.

Eu temia que o mesmo acontecesse com Watchmen. Que as adaptações, inserções ou cortes que Snyder realizasse acabassem por desfigurar completamente a obra que é, sem exagero, um marco na história das histórias em quadrinhos. Seja de super-heróis ou não.

Tirando o fetiche que Snyder parece ter por cenas de ação em câmera lenta e violência explícita, é bom ver que ele não cometeu o pecado que eu já estava dando por garantido. E isso é muito mais do que se pode dizer, hoje em dia, de adaptações cinematográficas, seja de livros, histórias em quadrinhos ou qualquer outro veículo.

Watchmen, originalmente, tem vários níveis de leitura. Existe a história dos Homens-Minuto, que apresenta a morte da inocência, o Cargueiro Negro, que tem ligações metafóricas com a história principal, a dos Watchmen. Snyder escolheu concentrar-se na história principal. Os Homens-Minuto são apresentados, mas de forma bem mais superficial do que nos quadrinhos. A verdade é que certos detalhes não caberiam nunca em um filme.

Ok, o Coruja não é mais aquele barrigudo de meia-idade, a Espectral não fuma um cigarro a cada minuto, os uniformes não têm aquele colorido ingênuo que contrasta com a decadência moral e social de um mundo à beira de uma guerra nuclear. O ferimento no rosto do Comediante não o transfigurou como nos quadrinhos. Os heróis lutam como artistas marciais saídos de algum filme de Jet Li. Mas nenhuma dessas mudanças compromete a adaptação. São detalhes.

Além disso, sem querer estragar a surpresa de ninguém, vale dizer que o final difere dos quadrinhos e pode mesmo frustrar algum fã mais radical. Mas a ideia está lá, preservada e cruamente apresentada.

Como adaptação, Watchmen é válido. Meu temor não se justificou totalmente. Consegui realmente ver aquelas páginas que tanto admiro ganharem vida de uma maneira respeitosa na tela do cinema. Claro que a obra original de Alan Moore é muitas vezes superior.

Raros são os filmes que eu indico sem restrições, com a máxima convicção de que são obras imperdíveis. Lamento dizer que Watchmen não é um deles. Há restrições. Em primeiro lugar, não é um filme de super-heróis descerebrado, para diversão fácil. Então, se é isso que você procura (lamento por isso, na verdade), não gaste seu dinheiro com Watchmen. Também não é um tratado de filosofia e sociologia, nem uma obra-prima cinematográfica. Não tenha expectativas altas a esse respeito. Arrisco dizer que ele irá dividir opiniões e pode mesmo vir a ter problemas de bilheteria. Isso só o tempo poderá mostrar.

No caso do filme, portanto, não digo “vá” nem “não vá”. Decida por sua conta e risco.

 

Aqui vale uma observação ácida: A frase de venda do filme, “do visionário diretor de 300”, é para lá de pretensiosa.

 

O que posso realmente indicar, como já fiz anteriormente, é a obra original.

A Panini (finalmente!) lançou Watchmen em duas versões. Uma em capa dura, para livrarias. Na Fnac e na Saraiva sai por uns R$ 94,00. O preço original sugerido é de R$ 120,00. A outra é para bancas. O miolo em papel jornal e em dois volumes, cada um a R$ 28,90.

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Majel Marret Roddenberry

Dezembro 19, 2008

Ontem, os fãs de Star Trek receberam uma notícia triste. Majel Marret, viúva de Gene Roddenberry morreu em sua casa, em Bel Air, de leucemia. Ela tinha 76 anos. Majel era figura constante no universo de Star Trek. Seu último trabalho foi dublando a voz do computador de bordo da Enterprise, no novo filme de J.J. Abrams, que pretende ressuscitar a franquia no cinema.

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