Em um artigo publicado pela revista New Scientist, o casal Robert e Brenda Vale, autores do livro “Time to Eat the Dog? The Real Guide to Sustainable Living” (“Hora de comer cachorro? O verdadeiro guia da vida sustentável”, ainda não publicado no Brasil) alega ter realizado uma pesquisa inusitada. Apontam que para alimentar Medor, um cachorro de tamanho médio que come 164 quilos de carne e 95 quilos de cereais por ano, o impacto no meio ambiente corresponde a uma superfície de 0,84 hectares. Já um veículo 4×4 que percorre 10.000 quilômetros anuais, levando em conta a energia necessária para sua fabricação e a utilizada para seus deslocamentos, tem um impacto ecológico de 0,41 hectares, duas vezes menos que o do cãozinho.
A notícia ganhou projeção nacional ao ser veiculada pelo programa “Fantástico” e por vários sites de notícias. O que realmente impressiona não é o absurdo da afirmativa, mas a forma como ela foi aparentemente aceita pelos meios de comunicação sem o devido questionamento.
Se comparado o impacto ao meio ambiente usando como medida a área de plantação/criação necessária para alimentar um cão e a área usada para fabricar e movimentar um carro (mesmo um 4×4 beberrão de gasolina), é óbvio que o bicho vira vilão. Afinal, os pesquisadores consideraram que existem bois concebidos, criados e abatidos para fabricar exclusivamente ração (em vez do aproveitamento das partes do boi que não são consumidas pelos seres humanos). Em algum momento foi considerada a emissão de gases pelo veículo quando ele se locomove? Provavelmente… afinal, aquele cinza que se vê no céu de São Paulo só pode ser provocado pelos gases liberados pelos cães, gatos e hamsters, não é?
A afirmação ganhou ares de verdade na imprensa. Não passa de uma descarada bobagem, que se sustenta em dados questionáveis e tendenciosos. É vergonhosa a leviandade dos editores e jornalistas brasileiros e, por que não dizer, a falta de responsabilidade com aquilo que juraram defender quando receberam seus diplomas: a verdade.
Segundo várias agências de notícias, o presidente da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae), Wagner Victer, sugeriu ao amigo/prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, escolher Zé Carioca como mascote das olimpíadas 2016. A infeliz declaração já gerou manifestações. Algumas vozes se levantaram para apoiar a idéia, que me parece tão absurda que nem me dei ao trabalho de analisar os argumentos… Dos que são contra, há os que levantam a bandeira do politicamente correto, dizendo que Zé Carioca é um personagem de caráter questionável e que essa é uma imagem que não se quer atribuir ao Rio de Janeiro. Outros, aparentemente pragmáticos, dizem que seria muito caro pagar royalties à Disney para utilizar o personagem. O problema que vejo é um pouco diferente: Se até para escolher o mascote, os caras já estão apelando para personagens já criados (atalho espertinho que nenhuma outra nação tomou quando sediou as olimpíadas), que dirá de tantas outras decisões que eles terão pela frente? Que meia dúzia de limítrofes defendam a escolha de Zé Carioca como mascote das olimpíadas 2016 é até compreensível… que autoridades como o prefeito do Rio de Janeiro apoiem esse tipo de ideia já é outra conversa…
Letra do Hino Nacional Brasileiro I
OUVIRAM DO IPIRANGA AS MARGENS PLÁCIDAS
DE UM POVO HERÓICO O BRADO RETUMBANTE,
E O SOL DA LIBERDADE, EM RAIOS FÚLGIDOS,,
BRILHOU NO CÉU DA PÁTRIA NESSE INSTANTE.
SE O PENHOR DESSA IGUALDADE
CONSEGUIMOS CONQUISTAR COM BRAÇO FORTE,
EM TEU SEIO, Ó LIBERDADE,
DESAFIA O NOSSO PEITO A PRÓPRIA MORTE!
Ó PÁTRIA AMADA,
IDOLATRADA,
SALVE! SALVE!
BRASIL, UM SONHO INTENSO, UM RAIO VÍVIDO
DE AMOR E DE ESPERANÇA À TERRA DESCE,
SE EM TEU FORMOSO CÉU, RISONHO E LÍMPIDO,
A IMAGEM DO CRUZEIRO RESPLANDECE.
GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA,
ÉS BELO, ÉS FORTE, IMPÁVIDO COLOSSO,
E O TEU FUTURO ESPELHA ESSA GRANDEZA.
TERRA ADORADA,
ENTRE OUTRAS MIL,
ÉS TU,BRASIL,
Ó PÁTRIA AMADA!
DOS FILHOS DESTE SOLO ÉS MÃE GENTIL,
PÁTRIA AMADA,
BRASIL!
II
DEITADO ETERNAMENTE EM BERÇO ESPLÊNDIDO,
AO SOM DO MAR E À LUZ DO CÉU PROFUNDO,
FULGURAS, Ó BRASIL, FLORÃO DA AMÉRICA,
ILUMINADO AO SOL DO NOVO MUNDO!
DO QUE A TERRA MAIS GARRIDA,
TEUS RISONHOS, LINDOS CAMPOS TÊM MAIS FLORES;
“NOSSOS BOSQUES TEM MAIS VIDA,”
“NOSSA VIDA” NO TEU SEIO “MAIS AMORES”.
Ó PÁTRIA AMADA,
IDOLATRADA,
SALVE! SALVE!.
BRASIL, DE AMOR ETERNO SEJA SÍMBOLO
O LÁBARO QUE OSTENTAS ESTRELADO,
E DIGA O VERDE-LOURO DESSA FLÂMULA
-PAZ NO FUTURO E GLÓRIA NO PASSADO.
MAS, SE ERGUES DA JUSTIÇA A CLAVA FORTE,
VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA,
NEM TEME, QUEM TE ADORA, A PRÓPRIA MORTE.
TERRA ADORADA,
ENTRE OUTRAS MIL,
ÉS TU, BRASIL,
Ó PÁTRIA AMADA!
DOS FILHOS DESTE SOLO ÉS MÃE GENTIL,
PÁTRIA AMADA,
BRASIL!
Quase 60 anos depois de apavorar a indústria de entretenimento norte-americano, o movimento liderado pelo senador Joseph McCarthy parece querer entrar na cultura brasileira. Não com a paranóia anti-comunista e a pressão do senado, como aconteceu nos EUA, mas com o mesmo espírito neurótico e agarrando-se a conceitos questionáveis de “moral e bons-costumes”. Tanto lá como aqui, a indústria dos quadrinhos se transforma em alvo prioritário. Lá, na década de 50, o Macartismo foi responsável pela criação do famigerado Comics Code. Aqui… sabe-se lá que tipos de ideias podem surgir.
Depois da polêmica gerada pela lambança da Secretaria Estadual de Cultura, que indicou uma história em quadrinhos adulta para alunos da quarta série, os moralistas de plantão sentiram-se na obrigação de apontar suas neuroses para outras obras gráficas. O escolhido da vez foi nada menos que a obra-prima “Um Contrato com Deus” de Will Eisner, que está na lista do MEC. Por não ser considerado didático, está seguindo para as bibliotecas. Educadores de São Paulo e Paraná estão exigindo a retirada do livro das prateleiras, alegando que contém cenas de violência, estupro e pedofilia e que está circulando entre alunos da quinta série.
É uma tristeza ver o trabalho de um dos mais importantes artistas do século XX sendo reduzido a um “gibi com cenas inadequadas”.
“Um Contrato com Deus” é poesia gráfica, lição de desenho e narração. A história principal e as histórias curtas que a acompanham são frutos de lembranças da infância e adolescência de Will Eisner. Não é para crianças, é verdade, mas está longe de ser merecedora de uma caça às bruxas. Muito menos ser jogada na fogueira da censura imbecil dos neo-macartistas e manipuladores da paranóia acéfala.
No Egito, foi decidido que todos os porcos sejam sacrificados para evitar a chamada gripe suína. O bizarro é que ainda não foi confirmado que o vírus tenha se originado no animal. O mais provavel é que seja uma mutação surgida entre seres humanos. Está ai a primeira manifestação de pânico irracional em resposta à ameaça de pandemia. Outras virão, provavelmente mais destrutivas do que a própria doença.
Adotar um animal é um gesto bacana, mas se você sonha com determinada raça de cão ou gato, tem todo o direito de comprá-lo – sem esquecer de estudar a raça para saber se ela se encaixa no seu estilo de vida. Existe uma corrente de pensamento segundo a qual “amigo não se compra”, mas eu entendo que criadores sérios são necessários. Pelo trabalho deles, obtém-se o aprimoramento genético das raças existentes. Assim, você pode ter a garantia de comprar um cão de companhia dócil, um cão de guarda confiável, um cão de trabalho obediente. Você sabe o que esperar da raça que escolheu. E num futuro (muito distante) em que não houver mais animais abandonados, só será possível adquirir um bichinho de estimação por meio de criadores.
Mas não quero falar dos criadores sérios, quero falar de criadores de fundo de quintal, gente que vê no animal uma barriga cheia de dinheiro. Gente que cruza exemplares fora do padrão da raça. Gente que cruza sua cadela ou gata seguidamente, cio após cio. Gente que não dá à cadela ou gata, e a seus filhotes, a assistência necessária durante a gestação e depois. Porque tanto a mãe quanto os filhotes precisam de cuidados médicos e alimentação adequada. Os pequenos devem ser desmamados no momento certo, vermifugados, vacinados. Devem passar por testes e exames que detectem doenças comuns da raça. Se tiverem essas doenças, não devem ser cruzados para não propagar o defeito genético. Enfim, tudo isso é caro (e, no caso dos criadores sérios, justifica o valor que cobram pelos animais). Só que o criador de fundo de quintal não quer ter despesa, só lucro. Ele tem um teckel e cruza com a teckel do vizinho, sem se importar se ambos estão fora do padrão, se são medrosos ou agressivos, se têm doenças congênitas. Ele tem um pit bull superagresssivo e cruza com a pit bull do amigo, que é medrosa, resultando em filhotes de temperamento duvidoso que serão vendidos a pessoas despreparadas para lidar com eles.
Esse tipo de criador vende os filhotes entre amigos e conhecidos, põe anúncio em jornais e na internet, ou na recepção de pet shops. Muitas vezes, ele vende os filhotes também na pet shop.
Portanto, essa é a procedência dos filhotes de pet shop. Não pense que aqueles lindos lhasas que você vê na vitrine, sem pedigree e a 500 reais cada, vieram de um canil conceituado e sério. Não, eles vieram do quintal de algum irresponsável. Se você comprar um desses filhotes e ele não tiver parvovirose, giardíase, cinomose, entre outras doenças, você teve sorte.
Se não tiver sorte, você acha que o veterinário da pet shop vai se dedicar a tentar salvar seu animal? Ilusão! Ele provavelmente fará de tudo para você não voltar ao local, medicando o filhote por telefone mesmo, dizendo que vômito e diarréia são normais, que você precisa forçar o pobrezinho a comer (já que o bicho está prostrado). Quando você finalmente entender que nada disso é normal e internar seu filhote numa clínica, ele já estará pele e osso (filhotes desidratam em questão de horas). A morte vem em pouco tempo, e você se sentirá incrivelmente triste por aquele ser tão pequeno, que sofreu tanto em sua vidinha tão breve.
Isso aconteceu comigo e com minha mãe. A pet shop se chama Vie de Chien e fica no shopping Frei Caneca, em São Paulo (SP). Pensamos em acioná-la na justiça e buscamos orientação, mas fomos desencorajadas pela falta de provas e pelo contrato idiota que assinamos ingenuamente. A pet shop declara, em seus contratos de venda de filhotes, que só poderá ser responsabilizada se o animal tiver uma doença infecto-contagiosa. Como a clínica disse que mesmo uma necropsia não poderia confirmar a suspeita de parvovirose (depois descobrimos que não é bem assim), nós acreditamos e acabamos não pedindo o procedimento. Enfim, acabou em pizza.
Até hoje torço para que a Vie de Chien feche as portas, mas isso parece longe de acontecer. Sempre há adultos e crianças encantados diante de suas vitrines, sem saber que ao comprar ali um filhote, podem comprar também muita dor e frustração.
Se você der uma busca no Google, vai encontrar também um caso de cãozinho ferido durante a tosa. Na dúvida, passe longe da Vie de Chien!
O Nikos teve uma vida bem curta e sofreu bastante, graças à negligência de maus profissionais.