Cães e poluição

Dezembro 22, 2009

Em um artigo publicado pela revista New Scientist, o casal Robert e Brenda Vale, autores do livro “Time to Eat the Dog? The Real Guide to Sustainable Living” (“Hora de comer cachorro? O verdadeiro guia da vida sustentável”, ainda não publicado no Brasil) alega ter realizado uma pesquisa inusitada. Apontam que para alimentar Medor, um cachorro de tamanho médio que come 164 quilos de carne e 95 quilos de cereais por ano, o impacto no meio ambiente corresponde a uma superfície de 0,84 hectares. Já um veículo 4×4 que percorre 10.000 quilômetros anuais, levando em conta a energia necessária para sua fabricação e a utilizada para seus deslocamentos, tem um impacto ecológico de 0,41 hectares, duas vezes menos que o do cãozinho.

A notícia ganhou projeção nacional ao ser veiculada pelo programa “Fantástico” e por vários sites de notícias. O que realmente impressiona não é o absurdo da afirmativa, mas a forma como ela foi aparentemente aceita pelos meios de comunicação sem o devido questionamento.

Se comparado o impacto ao meio ambiente usando como medida a área de plantação/criação necessária para alimentar um cão e a área usada para fabricar e movimentar um carro (mesmo um 4×4 beberrão de gasolina), é óbvio que o bicho vira vilão. Afinal, os pesquisadores consideraram que existem bois concebidos, criados e abatidos para fabricar exclusivamente ração (em vez do aproveitamento das partes do boi que não são consumidas pelos seres humanos). Em algum momento foi considerada a emissão de gases pelo veículo quando ele se locomove? Provavelmente… afinal, aquele cinza que se vê no céu de São Paulo só pode ser provocado pelos gases liberados pelos cães, gatos e hamsters, não é?

A afirmação ganhou ares de verdade na imprensa. Não passa de uma descarada bobagem, que se sustenta em dados questionáveis e tendenciosos. É vergonhosa a leviandade dos editores e jornalistas brasileiros e, por que não dizer, a falta de responsabilidade com aquilo que juraram defender quando receberam seus diplomas: a verdade.


Guerreiros?

Dezembro 8, 2009

O novo comercial da Brahma:

Cenas da final do campeonato brasileiro:


Mascote 2016

Novembro 8, 2009

Então tá… só eu estou considerando a escolha do Zé Carioca uma solução rápida típica de preguiça? Só eu estou achando estranho a utilização de um personagem com mais de 60 anos enquanto todos os paises sede criaram mascotes exclusivos? Ok. Lanço aqui um convite. Ilustradores, desenhistas e artistas, profissionais e, principalmente, amadores, vamos mostrar que não temos preguiça!

Vou divulgar os desenhos e ideias de quem estiver a fim de provar que o brasileiro é criativo e não precisa de um personagem criado há 60 anos. É só mandar no meu e-mail, que está ali no botão de Contato.


Zé Carioca como mascote das olimpíadas 2016?

Novembro 8, 2009

Segundo várias agências de notícias, o presidente da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae), Wagner Victer, sugeriu ao amigo/prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, escolher Zé Carioca como mascote das olimpíadas 2016. A infeliz declaração já gerou manifestações. Algumas vozes se levantaram para apoiar a idéia, que me parece tão absurda que nem me dei ao trabalho de analisar os argumentos… Dos que são contra, há os que levantam a bandeira do politicamente correto, dizendo que Zé Carioca é um personagem de caráter questionável e que essa é uma imagem que não se quer atribuir ao Rio de Janeiro. Outros, aparentemente pragmáticos, dizem que seria muito caro pagar royalties à Disney para utilizar o personagem. O problema que vejo é um pouco diferente: Se até para escolher o mascote, os caras já estão apelando para personagens já criados (atalho espertinho que nenhuma outra nação tomou quando sediou as olimpíadas), que dirá de tantas outras decisões que eles terão pela frente? Que meia dúzia de limítrofes defendam a escolha de Zé Carioca como mascote das olimpíadas 2016 é até compreensível… que autoridades como o prefeito do Rio de Janeiro apoiem esse tipo de ideia já é outra conversa…

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Mudança

Outubro 23, 2009

Em meu humilde entendimento, o blog é uma ferramenta que deve ser usada com responsabilidade. Um instrumento para expressão de opiniões sobre assuntos relevantes à escolha do autor. Ai está a linha tênue, pois blogueiros podem considerar que suas vidas pessoais têm relevância suficiente para expô-las descaradamente. Uma tentativa esquizofrênica de viver a fantasia de participar de um Big Brother virtual. Ai está o Twitter para facilitar ainda mais a vida dessas pessoas. E dá-lhe expor os detalhes de seus cotidianos. Tem gente que anuncia até quando vai ao banheiro…

Digo isso tudo na tentativa hipócrita de me justificar, já que este post é o mais pessoal que escrevi até aqui.

Depois de 9 anos na Jimenez Associados, estou me desligando da empresa para assumir um novo desafio na Triunfo – Propaganda. Vários motivos (que não vêm ao caso) levaram-me a esta decisão. Nenhum deles implica qualquer tipo de desavença contra a Jimenez. Muito pelo contrário. Só tenho elogios a essa empresa. Aprendi muito e fiz amigos. Recebi respeito profissional e pessoal de todos os colegas e chefes. Levo apenas boas lembranças. Espero deixar algumas para trás, também.

À frente, um novo desafio. Assustador, como tudo que é novo, mas isso é normal e estimulante. Meu primeiro objetivo é justificar a confiança e as expectativas que meus novos colegas e superiores tenham sobre mim. Espero que o clichê “a primeira impressão é a que fica”, porque a primeira impressão que tive da nova casa é de um grupo empreendedor, criativo e, acima de tudo, humano.

E desculpas à meia dúzia de leitores deste blog por este post sem relevância para vocês. Mas ele tem muita relevância para mim, para os velhos e os futuros amigos.


O Blog da Patroa

Outubro 20, 2009

A esposa está de blog novo. Claro que eu tive que dar aquela forcinha para navegar pelo site do wordpress para ensiná-la a mexer nos comandos… e pagar o mico de me enrolar tanto quanto…  Enfim…

O endereço é www.pretensaprosa.wordpress.com

Tem um post lá que eu gostei bastante e resolvi colocar aqui como amostra:

 

Mulheres Enroladas

Homem solteiro, bem empregado, bem-apessoado, bem resolvido, na faixa dos trinta, procura moça nas mesmas condições. Parece fácil, não? Com a escassez de homens héteros disponíveis, é claro que esse mancebo encontrará facilmente sua cara-metade. Mas não é isso o que acontece. Pergunte-lhe qual é o problema e ele responderá: “Todas as mulheres estão enroladas!”.

Muitas de nós protestarão: “Isso é mentira, não tenho ninguém, estou so-zi-nha!”. Tem certeza? Você pode dizer com absoluta segurança que é livre? Saiba que hoje em dia é muito difícil encontrar uma mulher solteira que não esteja enrolada de alguma forma.

O ex-namorado é um homem que recupera seus atrativos logo após a separação. As horríveis discussões tornam-se briguinhas saudáveis de casal; seus defeitos de caráter, antes intoleráveis, agora são manifestações compreensíveis de uma natureza humana falível; suas traições viram momentos de fraqueza; seu gênio de cão é apenas personalidade forte; o sexo egoísta e sem preliminares torna-se selvagem.

“Pôxa, mas não era uma droga?”, indagam os amigos ao ver-nos diante do telefone, os dedinhos coçando para discar o número do ex. “Talvez eu tenha sido muito inflexível”, respondemos, se fomos as autoras do pé na bunda. Se, no entanto, fomos dispensadas, nossa explicação para rastejar atrás do ex é perfeitamente lógica: “Ele só queria ficar um tempo sozinho, para repensar a relação, entende? Acho que três dias foi tempo suficiente”.

Nisso, passam-se os anos e o namoro intermitente prossegue, até que ele resolve se casar – com outra. Só então vem a constatação de que esse vai e volta roubou-nos um tempo precioso, durante o qual poderíamos ter encontrado alguém que valesse a pena. Isso se já não encontramos e descartamos, preferindo o sapato velho. Parece insensato? Mas muitas de nós interrompemos um novo e promissor namoro para nos reconciliarmos com o ex. Ou nem mesmo começamos outro relacionamento, deixando claro logo de saída que estamos presas a uma relação mal resolvida.

Acontece também de nosso rolo não ser com um ex-namorado, mas com um quase-namorado. Conhecemos um homem interessante num barzinho, ficamos. Dali a uma semana, ele nos liga, nos chama para sair, ficamos de novo. E de novo. E de novo. É namoro? Não! Só ficamos quando ele está com vontade (nós estamos sempre, é incrível) e nos contentamos com isso. Não o pressionamos para assumir compromisso, para dizer se é namoro ou amizade. Isso o assustaria. Então continuamos ficando, achando que, à medida que ele nos conhecer melhor, se apaixonará perdidamente, nos pedirá em namoro e, no devido tempo, em casamento. Se aparece um homem interessado em compromisso, em apresentar-nos para os pais e para os amigos, revelamos nossa condição de enrolada assumida.

Não somos burras: agimos burramente. Afundamos na ilusão e no autoengano, e deixamos de enxergar o óbvio: ex-namorados e quase-namorados são atraso de vida. Casos de reconciliações bem-sucedidas e de “ficadas” que viraram namoro sério são reais, claro, porém menos frequentes do que imaginamos. E enquanto estivermos enroladas, permaneceremos fechadas à possibilidade de um novo relacionamento.

Dê um basta aos rolos! Quanto àquele número de telefone que não sai da sua cabeça, empregue seus dedinhos em algo mais prazeroso.


Pela reconstrução do teto…

Setembro 20, 2009

kaka e o telhado da renascer


Contra o uso de peles de animais

Agosto 17, 2009

contra o uso de peles de animais


Trindade improvável em Brasília

Agosto 8, 2009

sarney_lula_collor


Nova pastora = Carol Kaká

Julho 26, 2009

nova pastora


Surpresa?

Junho 26, 2009

Em 1984, eu tinha 12 anos. No Brasil, Michael Jackson estava no auge. É surpresa que eu tenha curtido aquele álbum, que tenha dançado em bailes ao som de “Beat it”, “The girl is mine” e “Thriller”? Que eu tenha me empolgado com os efeitos especiais e a maquiagem do clipe? É surpresa que, vez por outra, eu tenha fantasiado estar andando em calçadas que acendiam sob meus pés? (vai me dizer que você nunca fez isso?)

Para mim, Michael Jackson existiu até Thriller. Essa é a memória que tenho dele. Parece justo. Tudo o que aconteceu depois fez parte de um plano perverso para destruir aquele fenômeno. Uma auto-sabotagem macabra.

É normal atribuirmos virtudes aos mortos. Michael Jackson deixa saudades… mas não por sua morte recente e sim pelo que ele representou há mais de vinte anos.


Um post interessante

Junho 25, 2009

Como seria?

Junho 24, 2009

Palavras de Xuxa durante audiência do processo que moveu contra a Rede Bandeirantes: “Ao saber da matéria, tive que contar para Sasha que já tinha posado nua. Foi uma grande decepção para ela. Além de ser mãe, eu sou o ídolo dela; ela tem orgulho do meu trabalho. Queria ser a primeira a falar com minha filha sobre isso e fiquei preocupada que ela ficasse sabendo por outras pessoas. Não sei até que ponto isso poderia traumatizá-la”.

O processo foi uma resposta da apresentadora à divulgação de fotos que foram publicadas na revista Playboy, na década de 80 e que foram mostradas no programa “Atualíssima”.

Traumatizante mesmo será quando ela tiver que explicar para a filha o filme “Amor Estranho Amor”. Afinal, não é tão difícil achar uma cópia por ai.


Só restar perguntar:

Maio 31, 2009

Que porra é essa?


Lulla e a poupança

Maio 14, 2009

lulla


Sobre o Tucson

Maio 2, 2009

comercial-do-tucson


Pânico

Abril 29, 2009

No Egito, foi decidido que todos os porcos sejam sacrificados para evitar a chamada gripe suína. O bizarro é que ainda não foi confirmado que o vírus tenha se originado no animal. O mais provavel é que seja uma mutação surgida entre seres humanos. Está ai a primeira manifestação de pânico irracional em resposta à ameaça de pandemia. Outras virão, provavelmente mais destrutivas do que a própria doença.


Nem gente, nem bicho

Abril 1, 2009

Foi divulgado, nesta terça, um vídeo gravado por celular em que um guarda municipal de Ribeirão Pires (SP) agride um morador de rua. O homem, que tem problemas mentais e passa o dia andando pela cidade, parou no posto e pediu um copo de água. O guarda, depois de humilhar o andarilho verbalmente, agrediu-o com uma descarga de extintor de incêndio.

O vídeo foi gravado por um dos guardas e estava sendo assistido pelos moradores da cidade. Um deles não gostou do que viu e fez a denúncia. Ele também é guarda municipal.

Estes são os fatos. Cabem agora, algumas ponderações…

1- O guarda responsável pela agressão diz que tem uma relação de amizade com o morador de rua e que a descarga foi uma “brincadeira entre amigos”. Vamos colocar a situação em sua devida perspectiva: Não era um grupo de amigos sacaneando um amigo que pode achar graça na brincadeira e até, quem sabe, revidar e tudo acabar em pizza. Estamos falando de um homem com problemas mentais, que pode não ter plena consciência do que está acontecendo e não tem como se defender e um agressor que deveria, em teoria, cuidar da segurança e bem-estar da população e da ordem pública.

Será vergonhoso se o citado guarda mantiver o emprego.

2- A declaração do denunciante usa um argumento que coincide com o raciocínio de vários outros entrevistados: “Nós somos pagos para tratar a sociedade com dignidade e não para agir daquela forma. Porque se trata de um ser humano e não de um cachorro, um bicho”. Ok, ninguém discute que o que aconteceu é lamentável. Mas cabe aqui uma pergunta: Se fosse um bicho, um cachorro, por exemplo… tudo bem? Acredito que não.

 

 


Crônicas da Evolução – 1

Março 30, 2009

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A Hora do Planeta

Março 29, 2009

A vida na Terra, segundo a maioria dos cientistas, só se extinguirá completamente no ocaso de nosso sol. Acontecimentos muito mais radicais do que o atual aquecimento global que estamos provocando não foram capazes de extinguir a vida do planeta.

O efeito estufa pode – e provavelmente irá – acabar com várias espécies. A humana incluída. Nossa luta para diminuir causas e efeitos do aquecimento global é, basicamente, uma luta pela humanidade. A Terra, depois de sumirmos, se recuperará. Assim como a vida, que insistirá em continuar, em novas formas.

Por isso, soa um pouco arrogante quando campanhas de conscientização dos efeitos do aquecimento global são batizadas como “Hora do Planeta”.

Mas se o nome da manifestação fosse o principal problema…

A Hora do Planeta consistiu em apagarmos as luzes entre 20h30min e 21h30min do dia 28 de março. Um gesto simbólico para um problema que é urgente, evidente e bem maior do que dizem: Estamos esgotando os recursos necessários para nossa sobrevivência, extinguindo espécies com nossa sujeira, nos reproduzindo e nos espalhando como uma praga, num mundo que não aguenta esse ritmo de exploração e que, como resposta, revogará sua hospitalidade.

Pergunto-me se já não passou o tempo dos gestos simbólicos. A população precisa ser conscientizada? Sem dúvida que sim! Gestos simbólicos fazem o trabalho? Sem dúvida que não!

Eles servem a dois propósitos:

1- Aliviar a consciência das pessoas, que pensam que apagar a luz de suas casas durante uma hora ou deixar seu carro em casa num único dia entre os 365 do ano as redime dos sacos plásticos que jogam nos bueiros (leia-se rios, oceanos e gargantas de tartarugas), dos passeios motorizados para comprar um simples pãozinho, do óleo de cozinha jogado pelo ralo etc.

2- Banalizar uma discussão séria, que merece apoio, medidas concretas, pressão sobre os governantes e atitudes pessoais.

Quando a propaganda visa conscientização, a delicadeza não funciona. Você não vai convencer a humanidade a mudar seu apetite destrutivo enquanto não a fizer encarar o que significa um mundo com o clima descontrolado, com os recursos naturais extintos, com a geografia alterada por culpa do ser humano. E esse trabalho é árduo e inglório, já que, convenhamos, boa parte desse primata supostamente racional só entende o perigo quando já está no meio da danação.

A luta defendida pela WWF e a “Hora do Planeta” é imprescindível. O método é pobrezinho…

 

Nesses momentos, sempre me vem à cabeça aquele sinal de “sou da paz” com as mãos. Muitas daquelas mãos que você vê na TV vão segurar um baseado ou ajeitar uma carreirinha logo depois de dar dinheiro a um traficante que comprará uma arma para organizar um assalto no qual mais alguém pode morrer.

Você não consegue imaginar uma multidão de pessoas que vão apagar as luzes de suas casas durante uma hora para se sentirem redimidas naquele momento em que estiverem enchendo o tanque de seus SUVs? Monstros poluidores que carregam uma única e espaçosa pessoa.

 

Engraçado como o ponto principal de todo nosso problema é um tabu: SOMOS MUITOS!

Mas as igrejas não aceitam métodos anticoncepcionais. A seus olhos, a AIDS não existe. A gravidez na adolescência não existe.