Homem-de-ferro 2 – ensinando como se faz

maio 1, 2010

Há alguns meses, talvez por falta de coisa melhor para fazer, surgiram discussões em blogs e fóruns sobre o filme “Transformers 2”. Uma parcela dizia que era um filme frenético, vazio e idiota, que se baseava na ação sem sentido e ininterrupta e na gostosura da Megan Fox. Outro grupo dizia que, para quem queria se divertir sem preocupação, era um bom filme. Sem profundidade desnecessária. Apenas um incentivo onanístico e robôs gigantes caindo na porrada. Eu, particularmente, concordo com a opinião do primeiro grupo. Assistir a Transformers significa entregar duas horas da sua vida para ter os olhos bombardeados por um montão de “nada”.

Quer saber como deve ser um filme com diversão sem compromisso que não te faz acreditar que teve minutos preciosos de sua vida roubados? Assista ao segundo filme do Homem de Ferro. É assim que se faz!

Se o primeiro filme deixou a desejar na construção dos vilões e no inevitável e mal resolvido confronto final, o mesmo não acontece neste. Mickey Rourke está perfeito no papel do físico russo que quer vingar seu pai, sabendo exatamente onde bater em Tony Stark, para fazer doer. Inclusive a relação entre os dois personagens foi muito bem sacada. Não posso falar muito mais do que isso sobre o assunto sem entregar spoilers.

A tão comentada e superestimada fase alcoólatra de Stark está presente, mas muito mais bem solucionada do que nos quadrinhos. Outro ponto positivo é que o Tony Stark de Downey Jr. não tenta conquistar o público tornando-se um herói clássico, daqueles que se sacrificariam por um bem maior. Não há concessões. A história começa e termina com o multimilionário no auge de uma egotrip sem limites. Mesmo assim, você torce pelo sucesso do cara.

Para os fãs de quadrinhos, algumas curiosidades: a conversa sobre a montagem dos Vingadores, filme que virá depois de Thor e Capitão América e reunirá os maiores personagens da Marvel (algo que pode ser o maior projeto ou o maior fiasco da história de filmes inspirados em super-heróis), corre solta neste Homem de Ferro 2. Até a interação entre Tony Stark e Nick Fury e a Shield é muito mais explorada. Outros dois detalhes interessantes é descobrir a participação de Stan Lee e ver que o escudo do Capitão América realmente está entre as bugigangas colecionadas por Stark.

Um bom roteiro, interpretações inspiradas, humor e cenas de ação empolgantes. Você se diverte e não tem sua inteligência insultada. Competência pura.

Para encerrar, uma dica: não saia do cinema antes de terminarem os créditos. Há uma cena final que você vai achar interessante.


Ultraman

dezembro 29, 2009

Ok… vai me dizer que não há nada que você goste que não seja ridículo?!


Avatar

dezembro 28, 2009

Assisti a Avatar. Já que é um dos filmes mais comentados dos últimos anos, sinto-me na obrigação de comentá-lo para a meia dúzia de gatos pingados que leem este blog.

Para falar sobre o novo filme de James Cameron, considero importante entendê-lo sob dois pontos de vista, neste caso quase distintos: imagem e texto.

Imagem

Vale começar este tópico com um mea culpa. Quando eu via trailers e imagens promocionais do filme, tinha certo em minha mente que não passaria de um longa de animação com imagens equivocadas, personagens infantiloides, cores exageradas e criaturas com cara de “mais do mesmo”. Felizmente, enganei-me redondamente. Não importa que os críticos digam que a animação está perfeita, que não se consegue perceber que os personagens foram feitos em computador, blá, blá, blá. Pode-se dizer, sim, que muito se avançou desde a atuação dos “bonecos” de Final Fantasy até os Navi de Avatar. Jogos de câmera, movimentação frenética e muita competência conseguem fugir de resultados constrangedores como a luta de Neo e o agente Smith em “Matrix: Reloaded”, mas não vamos exagerar. Ainda é possível, sim, perceber a artificialidade computadorizada dos personagens. Entendam, não quero desmerecer o resultado de Avatar nesse quesito. Quero apenas aparar alguns exageros. Deixo claro que Avatar é, de longe, o filme com o resultado de animação mais próximo da perfeição que já vi.

Quanto ao design, confesso que havia entrado no cinema com um conceito preestabelecido de erros e constrangimentos. Os personagens poderiam ser infantis, graças às suas orelhas pontudas e focinhos felinos. Poderiam ser exagerados, com sua “azulzice” brilhante e moda “praia tribal”. Errei feio! Os personagens têm carisma; os animais, mesmo com seus traços estranhos e amalucados, são assustadores e encantadores, ao mesmo tempo. Os “smurfs” gigantes transpiram sensualidade. O cenário selvagem do planeta Pandora parece realmente respirar. Quando sair em Blue Ray, acredito que será possível pausar o filme e procurar detalhes no ecossistema que os animadores e diretores de arte criaram. Plantas e insetos… está tudo lá, vibrando. Contraste chocante com a esterilidade do acampamento humano, com suas máquinas de mineração e guerra.

Nesse sentido, Avatar é o espetáculo visual que James Cameron prometeu. Não espere para assistir em DVD, muito menos cometa o sacrilégio de baixar na internet. Vá ao cinema. Em uma sala 3D. Se você morar em São Paulo ou Curitiba, enfrente a fila e vá a uma sala Imax. Seus olhos agradecerão.

Texto

Um conselho para você que vai assistir a Avatar. Não espere nada da história. Sente-se confortavelmente na sua cadeira com a pipoca e curta o espetáculo.

O tema, embora espinhoso e merecedor de mérito, é conduzido no estilo James Cameron. Feito para emocionar e ser entendido sem o mínimo esforço. Todos os personagens e situações clichê estão em Avatar. Pelos primeiros vinte minutos de filme, já é possível adivinhar todo o resto, inclusive quem vive e quem morre. Tudo é cuidadosamente calculado, mastigado e cuspido para agradar. Tanto que chega a ser irritante… se você não seguir meu conselho e tentar entrar com seu cérebro em pleno funcionamento.

Lá está o herói relutante que, a princípio, está em conluio com os vilões. Ele se desgarra de seus companheiros, encontra seu par amoroso que (ora, vejam só!) é prometida para outro. Um sinal divino o aponta como o “messias” que salvará a todos. Tem o cientista que tem inveja do guerreiro sortudo e funciona como alívio cômico. Tem a cientista apaixonada por descobertas incríveis que os executivos corporativistas ignoram, pois estão preocupados demais com o lucro rápido da mineração. A explicação científica para a intuição divina. A conciliação inevitável entre o divino e o científico (com vantagem da divindade). E por ai vai. Isso, sem falar dos pequenos detalhes que são colocados aqui para terem uma utilidade maior ali na frente.

O que há para falar de bom do roteiro é que ele realmente cumpre sua função de emocionar facilmente. Nisso, James Cameron é mestre. Ele sabe o que os executivos do cinema esperam dele e tem, ainda por cima, um senso de oportunidade difícil de se ver. Tratar sobre ecologia e expansionismo, hoje, é estar na crista da discussão.

Tem uma cena em especial que achei genial, e que me pareceu fugir da mesmice clichezenta. Se você for assistir, saberá qual é, não vou estragar a surpresa. Mas posso dizer que ela retrata de uma forma inesperada o terror dos ataques de 11 de setembro. Essa é a parte do filme que realmente faz pensar e revela que, apesar de parecer um diretor egocêntrico e vendido, existe algo fervilhante na cabeça de Cameron. Para pontuar essa alfinetada discreta, o discurso do chefe de segurança da colônia humana, usando termos como “combater o terror” e “ataque preventivo” foi de arrancar um riso nervoso.

Concluindo… meu conselho é apenas este: desligue seu senso crítico e curta o espetáculo. Vale a pena.


The Surrogates ou Os Substitutos

novembro 2, 2009

ATENÇÃO: Este post está cheio de spoilers. Leia por sua conta e risco!

 

Se você ouviu falar de “The Surrogates” (Substitutos) apenas como o novo filme de ação e efeitos especiais estrelado por Bruce Willis e que não tem sido bem recebido pela crítica especializada (http://www.omelete.com.br/cine/100022947/Critica__Substitutos.aspx  http://pipocacombo.virgula.uol.com.br/critica-substitutos/ http://cinema.cineclick.uol.com.br/criticas/ficha/filme/substitutos/id/2279 http://www.cinemaemcena.com.br/Ficha_filme.aspx?id_critica=7491&id_filme=6079&aba=critica), preste atenção, pois você pode estar deixando passar a oportunidade de curtir uma boa história. Não a do filme, claro… 

“The Surrogates”, originalmente, é uma graphic novel. Foi escrita por Robert Venditti e desenhada por Brett Weldele. Na história original, que ocorre em 2054, quase todos os adultos trancam-se na segurança de suas casas e operam robôs através de aparelhos que ligam suas mentes às máquinas. Assim, eles experimentam os estímulos do ambiente a que os robôs são expostos, sem se preocuparem com ferimentos ou doenças. Uma versão hardcore do Second Life. Entretanto, a destruição inusitada de um casal desses robôs leva o detetive Harvey Greer a se envolver numa conspiração que envolve o criador dos robôs e o líder religioso de uma comunidade que renega a utilização dos ”substitutos”.

Se, nos quadrinhos, o detetive luta para evitar o desligamento de todos os robôs e uma consequente mudança no confortável modo de vida que eles proporcionam, no filme, Bruce Willis tenta a todo custo evitar que um aparelho que tem a estranha capacidade de matar os operadores dos substitutos seja utilizado para exterminar quase toda a população mundial. Um exagero sem pé nem cabeça. Afinal, o vilão da história nada mais é do que o criador dos robôs (eu avisei que tinha spoilers).  Ele está desgostoso com sua responsabilidade na criação de uma apatia coletiva. ”Oras bolas”, pensa o velho. “Não aguento mais ver essa galera deixando de viver suas vidas e fazendo isso através de uma máquina. Vou desligar as máquinas? Não, vou matar todo mundo!” A típica falta de sutileza Hollywoodiana que não faz o menor sentido. Eles tentam nos fazer acreditar que sua psicopatia é resultado do assassinato recente de seu filho. Tá bom…

Outra diferença entre a obra original e a adapatação é a relação entre o detetive e sua esposa. Nos quadrinhos, ela não passa de uma mulher que não consegue enfrentar o avanço da idade e o declínio natural de seu corpo. Afinal, os substitutos são lindos e não envelhecem. Se algo desagrada, não precisa passar pelo desconforto e perigo de uma cirurgia plástica. Leve seu robô a um centro de update e melhore o que quiser. No filme, para justificar o amor incondicional do detetive por sua esposa, resolveram limpar a barra dela. Para que ela não parecesse tão superficial, inventaram uma bela cicatriz, provocada por um acidente de carro. Nesse acidente o filho do casal morreu. Assim, ao invés de simples viciados em vida virtual, temos um casal amargurado por uma experiência traumática e um defeito físico real. É a fraqueza humana precisando de uma justificativa. Ainal, heróis precisam de situações radicais para abandonarem sua natureza nobre…

O personagem Profeta, que tem importância fundamental no desenrolar da trama nos quadrinhos, no filme não passa de um personagem desinteressante, mal explicado e irritante. Na tentativa de criarem uma ironia, os roteiristas apelaram para a fórmula mais manjada e revelaram, lá perto do final do filme, que o Profeta e seus dois seguranças também são robôs. Isso acontece dentro de um gueto onde o ódio aos substitutos chega à paranóia.

Existem vários outros detalhes que desabonam o filme. Meu conselho: não perca seu tempo. Se acha que a sinopse daria uma boa história, saiba que já deu e que você pode conferi-la em português, numa edição da Devir. Vá a uma livraria ou comic shop e curta. O filme? É quase um substituto… mas muito defeituoso.

surrogates


Duna

maio 26, 2009

Duna é considerada por muitos a maior saga de ficção científica da literatura. Não é um título desmerecido. O universo criado por Frank Herbert conquistou uma legião de fãs. No Brasil, a saga não é tão popular. Culpa das editoras, que relegaram Duna ao limbo. É muito difícil encontrar uma cópia do primeiro livro em português.

Aos que leem em inglês, não faltam edições. Na Amazon e na Livraria Cultura é possível comprar todos os exemplares da série.

Aqui vai a lista das obras para você não se perder:

1- Dune (Duna)- Lançado em 1965. Foi o primeiro livro da saga. Conta a assenção de Paul Muadib a imperador da galáxia.

2- Dune Messiah (Messias de Duna) – De 1969. Vinte anos após o início da Jihad de Muadib, em que ele conquistou o universo humano.

3- Children of Dune (Os Filhos de Duna) – De 1977. A queda de Muadib e a ascensão de seu filho, Leto II.

4- God Emperor of Dune (Imperador-Deus de Duna) – 1981. Depois de 3.500 anos, chega ao fim o reinado de Leto II.

5- Heretics of Dune (Hereges de Duna) - 1984. A humanidade espalhou-se pelo universo e novos grupos começam a retornar ao território do velho império. A história se passa 1.500 anos depois da morte de Leto II.

6- Chapterhouse Dune (Casa capitular) – 1985. A ordem das Bene Gesserit enfrentam as Honored Matres, enquanto transformam seu planeta numa nova versão de Arrakis.

heretics of dune

Em 1986, Frank Herbert morreu, sem ter completado a saga de Duna. Seu filho, Brian Herbert, alega ter encontrado os manuscritos que continham as ideias dos pai para a conclusão da história, além de descrições da formação do universo de Duna. Juntamente com Kevin J. Anderson, deu continuidade ao trabalho de Frank Herbert.

A ordem cronológica da história, incluindo os livros de Brian Herbert é a seguinte:

1- The Butlerian Jihad

2- The Machine Crusade

3- The Battle of Corrin

4- House Atreides

5 – House Arkonnen

6- House Corrino

7- Dune

8- Paul of Dune

9- Dune Messiah

10- Children of Dune

11- God Emperor of Dune

12- Heretics of Dune

13- Chapterhouse Dune

14- Hunters of Dune

15- Sandworms of Dune


Bons quadrinhos, s´il vous plait – Sillage

janeiro 24, 2009

Um dos representantes da nova geração de quadrinhos franceses. Sillage.

Sillage teve, pelo menos, quatro álbuns publicados em Portugal (com o nome Senda). Originalmente, são 11.

A dupla responsável, Jean David Morvan (texto) e Philippe Buchet (arte) já tiveram um trabalho publicado por aqui: Wolverine – Saudade. Não foi o melhor momento deles.

A Panini andou se aventurando, recentemente, na publicação de quadrinhos europeus. XIII e Blacksad, por exemplo. Mas não passa da ponta de um sensacional iceberg. Por vários motivos, estamos carentes de editoras que publiquem as boas obras européias. Estamos extremamente viciados na duplinha Marvel-DC. A coisa está tão estranha, que já vi gente defendendo a novela “mutantes – caminhos do coração” como uma iniciativa que divulga o hábito de ler quadrinhos para o brasileiro. Para os que defendem essa bobagem, por favor, pensem um pouquinho antes de proferir tamanha fanfarronice.

Mas este não é um post sobre idiotices. É sobre um quadrinho francês muito bom.

Sillage conta a história de Navis, uma humana, única sobrevivente de uma nave que caiu em um planeta selvagem. Ela é encontrada por alienígenas de um comboio de colonizadores de diversas espécies: Sillage.

O primeiro álbum conta a resistência de Navis à invasão de seu planeta e sua subseqüente captura e inclusão no comboio. Nos números seguintes, acompanhamos Navis tornando-se uma agente especial a serviço do conselho geral de Sillage.

É uma história de ficção científica e aventura, com todos os ingredientes que tornam o gênero atraente e divertido. Sillage é inteligente, mas não é genial. Se você procura isso, continue lendo Frank Herbert e Asimov. Se você quer se divertir sem ser insultado, Sillage traz as metáforas e questionamentos que se espera encontrar em uma boa ficção científica, bastante ação e surpresas. O desenho é sensacional. Simples, dinâmico e muito competente.

Espero realmente que alguma editora brasileira se interesse por publicar Sillage por aqui. Mas é pouco provável. Ao que parece, editoras que se aventuram nos bons quadrinhos acabam amargando revezes desagradáveis. Veja a situação da Conrad e da Pixel, por exemplo.

Se você não quiser esperar, aconselho a procurar as edições em francês, que podem ser encontradas na Amazon da França, ou encomendadas pela Livraria Cultura.

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(Se este post foi útil, comente. Se você pretende defender “caminhos do coração”… não perca seu tempo, nem o meu).


Majel Marret Roddenberry

dezembro 19, 2008

Ontem, os fãs de Star Trek receberam uma notícia triste. Majel Marret, viúva de Gene Roddenberry morreu em sua casa, em Bel Air, de leucemia. Ela tinha 76 anos. Majel era figura constante no universo de Star Trek. Seu último trabalho foi dublando a voz do computador de bordo da Enterprise, no novo filme de J.J. Abrams, que pretende ressuscitar a franquia no cinema.

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