Entre as editoras que apostam na tendência dos quadrinhos migrarem para as livrarias, a Conrad é a que mais acerta em suas apostas. Lançaram a coleção completa de Sandman (se você não pegou, agora é só a da Panini… que vale), as séries “O Clic” e “Os Bórgia”, as parcerias entre Manara e Pratt: “Verão Índio” e “O Gaúcho”, diversos volumes de Crumb, “Valentina” de Crepax… enfim, uma série de boas aquisições para qualquer gibiteca.
O lançamento mais recente deles é um volume que eu não conseguiria avaliar sem uma impressão muito pessoal: “Ranxerox”.
A primeira vez em que tive contato com essa história, foi nas páginas da extinta e saudosa revista “Animal”. A publicação era um oásis no mercado de quadrinhos dos anos 80. Uma versão tupiniquim muito mais corajosa e sensacional da Heavy Metal. Trazia em suas páginas verdadeiras pérolas dos quadrinhos italianos, espanhóis, franceses e latino-americanos.
A Animal não chegou a publicar a série completa de “Ranxerox”. Brasileiros que quisessem ler material inédito tinham que apelar para caminhos praticamente arqueológicos, entre sites e sebos, ou à publicação em inglês, lançada pela Heavy Metal.
A garimpagem acabou.
A Conrad reuniu toda a saga, além das primeiras histórias publicadas, uma introdução histórica caprichada, muitas ilustrações extras e tudo isso devidamente encadernado em um livro de capa dura.
Não faz sentido eu contar aqui a história da origem de Ranxerox, ou mesmo as biografias de seus autores. Leia isso quando tiver seu volume nas mãos. Porque você tem que conhecer Ranxerox. Engula sua moral, abrace o bizarro e deixe-se levar pelas aventuras ultra-violentas deste robô assassino, viciado e pedófilo. Se existe alguma obra que poderia ser chamada de visceral, é Ranxerox. E estou falando no sentido literal. A cada página tem um corpo brutalmente desfigurado, alguma canalhice, alguma imagem que visa embrulhar seu estômago. Tudo no mais desconcertante traço realista que já tive o prazer de conhecer.

Escrito por waltertierno 

















