Ranxerox voltou.

agosto 31, 2010

Entre as editoras que apostam na tendência dos quadrinhos migrarem para as livrarias, a Conrad é a que mais acerta em suas apostas. Lançaram a coleção completa de Sandman (se você não pegou, agora é só a da Panini… que vale), as séries “O Clic” e “Os Bórgia”, as parcerias entre Manara e Pratt: “Verão Índio” e “O Gaúcho”, diversos volumes de Crumb, “Valentina” de Crepax… enfim, uma série de boas aquisições para qualquer gibiteca.

O lançamento mais recente deles é um volume que eu não conseguiria avaliar sem uma impressão muito pessoal: “Ranxerox”.

A primeira vez em que tive contato com essa história, foi nas páginas da extinta e saudosa revista “Animal”. A publicação era um oásis no mercado de quadrinhos dos anos 80. Uma versão tupiniquim muito mais corajosa e sensacional da Heavy Metal. Trazia em suas páginas verdadeiras pérolas dos quadrinhos italianos, espanhóis, franceses e latino-americanos.

A Animal não chegou a publicar a série completa de “Ranxerox”. Brasileiros que quisessem ler material inédito tinham que apelar para caminhos praticamente arqueológicos, entre sites e sebos, ou à publicação em inglês, lançada pela Heavy Metal.

A garimpagem acabou.

A Conrad reuniu toda a saga, além das primeiras histórias publicadas, uma introdução histórica caprichada, muitas ilustrações extras e tudo isso devidamente encadernado em um livro de capa dura.

Não faz sentido eu contar aqui a história da origem de Ranxerox, ou mesmo as biografias de seus autores. Leia isso quando tiver seu volume nas mãos. Porque você tem que conhecer Ranxerox. Engula sua moral, abrace o bizarro e deixe-se levar pelas aventuras ultra-violentas deste robô assassino, viciado e pedófilo. Se existe alguma obra que poderia ser chamada de visceral, é Ranxerox. E estou falando no sentido literal. A cada página tem um corpo brutalmente desfigurado, alguma canalhice, alguma imagem que visa embrulhar seu estômago. Tudo no mais desconcertante traço realista que já tive o prazer de conhecer.


Voltando ao normal

agosto 28, 2010

Ok, eu sei que ando falando muito sobre “Cira e o Velho”. Mas vocês vão ter que perdoar minha obsessão. Não é todo dia que se lança um livro, não é? Vamos falar um pouco sobre quadrinhos, novamente, para não perder o (bom) hábito.

Acabo de receber uma encadernação de “Ultimate Avengers”. Trata-se do que poderíamos chamar de “quarta temporada” dos “Ultimates”. Depois de dois volumes escritos por Mark Millar e desenhados por Brian Hitch e que resultaram em um dos quadrinhos de super-heróis mais bacana e divertido dos últimos anos, a Marvel resolveu entregar o terceiro volume na mão de Jeph Loeb. No mínimo, um erro. Além do escritor apresentar uma sequência desinteressante, sem um pingo do carisma anterior e simplesmente boboca, ainda insultou o leitor com uma das sagas mais estapafúrdias que tive o desprazer de ver: Ultimatum. Uma desnecessária desconstrução do universo “Ultimate”, que a Marvel havia criado para apresentar novas versões de seus heróis clássicos. Não sei dizer qual foi a intenção de Quesada, o editora da Marvel. A impressão que fica é que ele está tentando sabotar a linha. Seria uma pena, não de todo inesperada, já que a promissora “Marvel Max” anda cada vez mais esquecida.

Enfim, as águas baixaram e Mark Millar voltou a trabalhar com a versão ultimate dos “Avengers”. Equilibrand0-se sobre a montanha de bobagens que seu antecessor construiu, ele até que consegue criar uma história que lembra bastante suas primeiras versões de “Ultimates”. Tem ação, violência, exageros sensacionais e empolgantes, diálogos afinados e diversão. Enfim, parece que é o “Ultiverso” voltando ao normal… embora Loeb permaneça como uma ave de mau agouro pairando sobre a linha.

Vale lembrar que os desenhos de Carlos Pacheco estão muito bons.


Cachalote

julho 11, 2010

Dois clichês com os quais concordo:

1- Leitores, executivos, editores e artistas não respeitam nem aproveitam as possibilidades artísticas das histórias em quadrinhos.

2- Filmes “papo-cabeça” são chatos. Refiro-me a esses que mostram uma gota de água caindo em uma poça durante 5 minutos ou em que os personagens apenas se olham durante dez e se entendem perfeitamente (já vi filmes assim, juro).

As duas afirmações não têm nada em comum, mas não consegui evitar de pensar nelas quando terminei de ler “Cachalote”.

Se fosse um filme, seria extremamente chato. Felizmente, é uma história em quadrinhos. E das boas.

A publicação é da Companhia das Letras, e confesso que eu não esperava muito dela em matéria de quadrinhos. É uma editora formidável, mas não parecia que se tornaria um nome representativo do mercado de quadrinhos. O que estou dizendo deve ser considerado mais como um preconceito do que constatação. Afinal, estava baseado em poucas obras, por exemplo as badaladas “Persépolis” e “Maus”. Uma falava sobre a revolução fundamentalista iraniana, a outra sobre o holocausto judeu na segunda guerra. Ambas sob o ponto de vista pessoal dos autores. Falando assim, parece grande coisa? Pois ambas compartilham algumas coisinhas: são insuportavelmente autobiográficas. Como se a vida dos autores, suas neuras e covardias fossem tão ou mais interessantes do que os momentos históricos que serviam como pano de fundo. Ok, você pode argumentar que as histórias tinham esse propósito. Biografias com momentos históricos relevantes como pano de fundo. A que eu respondo que esse propósito é para lá de enfadonho.

Mais uma semelhança: ambas são absurdamente mal desenhadas. “Maus” bem mais do que “Persépolis”. Parece que virou escola. Quadrinhos independentes têm que ser autobiográficos e porcamente desenhados. Ganham prêmios por isso.

Um detalhe: pode ser ignorância pura e simples, mas eu ainda não entendi qual é a grande sacada metafórica de colocar judeus como ratos e nazistas como gatos. Sinceramente, nem quero entender.

A Companhia também lançou uma coleção de álbuns de Will Eisner. Seguiram o padrão das reedições da editora Norton, que reuniram vários álbuns do artista em edições de capa dura. Tenho três dessas edições aqui em casa. Pergunto-me por que a Companhia escolheu publicar apenas a coletânea de histórias autobiográficas. Padrão? Bem… pelo menos Will Eisner é um desenhista anos-luz melhor do que a iraniana e o ratinho.

Por tudo isso, eu acreditava que eles publicariam apenas histórias em quadrinhos autobiográficas (um saco) ou sobre o holocausto judeu.

“Cachalote” me contrariou. Ainda bem.

Escrita por Daniel Galera e desenhada por Rafael Coutinho (filho do cartunista Laerte), é uma colcha de histórias que se cruzam de formas improváveis. Pensando bem, uma não tem nada a ver com a outra, mas tudo bem.

Os personagens são interessantes. As tramas passam do realismo deprimente ao fantástico sem o menor pudor. Como a história do casal divorciado que ainda é amigo, absurdamente comum, e a situação kafkaniana do escultor que representava a si mesmo em um filme.

Como eu disse, se fosse um filme, seria uma chatice sem tamanho, mas em quadrinhos… Você lê com calma e paciência, passeia os olhos sobre os desenhos, deixa-se levar por diálogos cotidianos, despretensiosos. Mesmo que, dois quadrinhos adiante, você seja atingido por textos ácidos, e é aqui que fica evidente o quanto esta forma de arte é subaproveitada. Quantos roteiros que estão esperando uma chance cinematográfica não poderiam gerar quadrinhos fantásticos? Quantas histórias não estão esperando para serem apreciadas, mas, ao contrário, mofam em gavetas de editores de visão curta, executivos preconceituosos ou até mesmo roteiristas teimosos?

Os desenhos de “Cachalote” merecem um parágrafo à parte. Estão sensacionais. Leves, precisos e sem a rigidez cega da linguagem realista. Em nenhum lugar é mencionado o parentesco de Rafael Coutinho com o gênio Laerte. Não precisa. Ele demonstra talento suficiente para trilhar uma carreira brilhante. Mas não dá para deixar de pensar que a genética dele deve ajudar… Ficarei de olho em seus próximos trabalhos.

Quadrinhos que dão gosto de ler, seja o texto, sejam as imagens.


Crise Final nos quadrinhos de super heróis

junho 9, 2010

Eu demorei para escrever sobre “Final Crisis”. Estava bastante indeciso sobre a melhor forma de abordar o assunto. E provocar essa confusão talvez seja a única qualidade dessa minissérie…

Mas, recentemente, tive contato com um trabalho que me impressionou e, de quebra, ofereceu os dados de comparação que eu precisava para entender minha frustração com a tão falada e aguardada saga da DC Comics.

Histórias de super heróis permitem abordagens variadas. Mas não exageremos. Elas podem ser sombrias e carregar metáforas políticas e sociais, como “Watchmen” e “Dark Knight Returns” ou cheia de cores e nobreza, como a nova fase de “Green Lantern”. Dá até para misturar um pouco essas duas vertentes, acrescentar humor e apoteose de blockbuster, como o “Ultimates” de Mark Millar. Mas uma característica é imutável: tem que ser divertido!

O que não dá é para fazer experiências onanistas, pretensiosas e sem sentido, do tipo que você precisa de um mapa da cabeça do autor para entender a desgraça toda. “Final Crisis” é isso. Grant Morrison achou que poderia trazer a verborragia de seu “The Invisibles” para o mundo dos heróis DC. Enquanto grandes sagas da Marvel podiam ser entendidas se você comprasse os volumes principais, como foi o caso de “Civil War”, “Final Crisis” simplesmente não pode ser lida isoladamente. E, pior, não dá para entender nem mesmo lendo todas as séries envolvidas no evento. Foi um dos maiores equívocos da DC, essa é que é a verdade. Morrison é superestimado. Não entendam mal. Sua passagem pelos X-men foi uma das melhores coisas que aconteceram com os mutantes da Marvel. Mas, lá na casa de ideias, ele provavelmente foi mais controlado. Na DC, entretanto, teve carta branca para despejar bizarrice. E dá-lhe finais de sagas que lembram as viagens etílicas de epílogos de animes japoneses, como foi o caso de “Evangelion”. Você assistiu? Se não, fique longe. É um dos finais mais frustrantes, pretensiosos e idiotas que já presenciei.

Outro fator negativo: o que foi essa morte do Batman? Serviu para quê? Só para mais um retorno apoteótico e ridículo? Para não deixar por menos, acreditei na indicação do Omelete e conferi as histórias de Dick Grayson carregando o legado de Bruce Wayne (se você tinha dúvida sobre isso e tem coragem de chama de spoiler, então não é leitor de quadrinhos que se preze). Tirando os sempre ótimos desenhos de Frank Quitely (que duram poucos números), é mais um trabalho descartável. Talvez fosse interessante se não estivesse carregando o ranço da bobagem que foi “Crisis”. Mas não é realmente o caso. A cada página o leitor é perseguido pela sensação de “situação provisória”. Afinal, você sabe que Wayne voltará a vestir o capuz do homem morcego…

Ironicamente, é na mesma DC que um autor, Geoff Johns, está mostrando como se escreve uma divertida história de super heróis. Mesmo utilizando um personagem que teria tudo para ser ridículo: “Green Lantern”. Desde que assumiu o título, Johns trouxe Hal Jordan, o chamado “Green Lantern” da “Silver Age” de volta à vida (alguém achou que seria uma boa ideia matá-lo, como já ficou bastante comum nos quadrinhos americanos) e construiu pacientemente a fundação para a melhor grande saga DC dos últimos tempos: “Darkest Night”. São quadrinhos divertidos, cheios de ação, cor (literalmente), reviravoltas, heroísmo e imaginação. Nada das pretensões quânticas de Morrison e, mesmo assim, você não se sente um idiota ao ler.

Nas mãos de Geoff Johns, toda a mitologia do personagem foi reconstruída e devidamente cimentada. Mudanças foram realizadas para tornar as histórias mais interessantes e tudo foi expandido e brilhantemente organizado (uma grande sacada foi a criação de outras tropas, cada qual com sua cor).

Também somos agraciados com um desfile de ótimos desenhistas, com destaque para o brasileiro Ivan Reis. Seu traço é competente e muito bonito. Espero que ele continue a aparecer, ainda mais se estiver acompanhado de histórias tão boas.


Com grandes poderes, péssimas escolhas.

maio 12, 2010

A Panini está lançando uma série de encadernados de minisséries da Marvel. O primeiro foi “Homem-aranha: Com grandes poderes…” que reconta e amplia as histórias do tempo em que Peter Parker era um ambicioso lutador de luta-livre. O texto é de David Lapham e os desenhos do quase sempre competente Tony Harris, o mesmo de “Ex Machina”. Digo “quase” porque, no capítulo final deste encadernado, a qualidade de seu traço sofreu uma queda considerável. Justiça seja feita, não dá para culpá-lo. A história é de uma irrelevância completa. Você precisa ser muito, muito, mas muito fã do Homem-aranha para gostar dessa edição. Não empolga, não acrescenta, não diverte, não vale nada. Tenta se vender como uma curiosa coletânea dos elementos que, mais tarde, ajudarão na decisão do herói em se tornar um combatente do crime e bem-feitor, amigo da vizinhança. Não é! É apenas uma história chata, sem emoção, sem a menor capacidade de criar empatia, sem nada. Não fará a menor falta na sua gibiteca.

Também já está disponível o segundo número dessa série de especiais: “Capitão-América: A escolha”. Se o do Homem-aranha é um festival de irrelevância, este aqui traz uma verdadeira batalha dos autores, David Morrell e Mitch Breitweiser, para encher linguíça. Chato até o limite da sensatez, piegas, ufanista, inútil. Na trama, o soro que transformou o franzino Steve Rogers no super soldado conhecido como Capitão-América também o está matando. Para continuar sua luta, o paladino da liberdade se submete a uma experiência que acaba por dotá-lo do poder de se comunicar telepaticamente. Ele usa este poder para, moribundo, levantar a moral de um soldado que está em uma situação complicada no meio da guerra do Iraque. Se o argumento já não parece lá muito promissor, o resultado então… Uma minissérie de 5 edições que não precisaria mais do que 2 para contar uma historinha constrangedora que não faço ideia de onde se encaixa na cronologia do herói. E, sinceramente, não faço a menor questão de saber. Se você quer ler uma história interessante sobre a criação do soro do super soldado, prefira “Truth”, onde é revelado que os primeiros a experimentarem o procedimento foram soldados americanos negros. Essa, sim, uma história intrigante e com um interessante comprometimento político-social.

Já a  ”Capitão-América: A escolha”… deixe para lá. Também não merece um lugarzinho na sua estante. Ainda tem mais 3 ou 4 números desses especiais da Marvel para sairem. Eu dei chance a dois e me arrependi. Provavelmente, não vou conferir os próximos, pois imagino que a qualidade segue esse padrão constrangedor.


Homem-de-ferro 2 – ensinando como se faz

maio 1, 2010

Há alguns meses, talvez por falta de coisa melhor para fazer, surgiram discussões em blogs e fóruns sobre o filme “Transformers 2”. Uma parcela dizia que era um filme frenético, vazio e idiota, que se baseava na ação sem sentido e ininterrupta e na gostosura da Megan Fox. Outro grupo dizia que, para quem queria se divertir sem preocupação, era um bom filme. Sem profundidade desnecessária. Apenas um incentivo onanístico e robôs gigantes caindo na porrada. Eu, particularmente, concordo com a opinião do primeiro grupo. Assistir a Transformers significa entregar duas horas da sua vida para ter os olhos bombardeados por um montão de “nada”.

Quer saber como deve ser um filme com diversão sem compromisso que não te faz acreditar que teve minutos preciosos de sua vida roubados? Assista ao segundo filme do Homem de Ferro. É assim que se faz!

Se o primeiro filme deixou a desejar na construção dos vilões e no inevitável e mal resolvido confronto final, o mesmo não acontece neste. Mickey Rourke está perfeito no papel do físico russo que quer vingar seu pai, sabendo exatamente onde bater em Tony Stark, para fazer doer. Inclusive a relação entre os dois personagens foi muito bem sacada. Não posso falar muito mais do que isso sobre o assunto sem entregar spoilers.

A tão comentada e superestimada fase alcoólatra de Stark está presente, mas muito mais bem solucionada do que nos quadrinhos. Outro ponto positivo é que o Tony Stark de Downey Jr. não tenta conquistar o público tornando-se um herói clássico, daqueles que se sacrificariam por um bem maior. Não há concessões. A história começa e termina com o multimilionário no auge de uma egotrip sem limites. Mesmo assim, você torce pelo sucesso do cara.

Para os fãs de quadrinhos, algumas curiosidades: a conversa sobre a montagem dos Vingadores, filme que virá depois de Thor e Capitão América e reunirá os maiores personagens da Marvel (algo que pode ser o maior projeto ou o maior fiasco da história de filmes inspirados em super-heróis), corre solta neste Homem de Ferro 2. Até a interação entre Tony Stark e Nick Fury e a Shield é muito mais explorada. Outros dois detalhes interessantes é descobrir a participação de Stan Lee e ver que o escudo do Capitão América realmente está entre as bugigangas colecionadas por Stark.

Um bom roteiro, interpretações inspiradas, humor e cenas de ação empolgantes. Você se diverte e não tem sua inteligência insultada. Competência pura.

Para encerrar, uma dica: não saia do cinema antes de terminarem os créditos. Há uma cena final que você vai achar interessante.


Vertigens

abril 26, 2010

Se você é fã de quadrinhos, provavelmente, assim como eu, comemorou efusiva e precocemente quando a Panini anunciou que publicaria títulos da Vertigo no Brasil. Depois de passar por editoras aventureiras, que não conseguiram dar a devida continuidade ao trabalho, ver a líder de mercado assumir a responsabilidade deu alguma esperança aos leitores brasileiros. Passado o entusiasmo, dá para colocar os pés no chão e perceber que não é garantia de nada. Claro que o sucesso ou não da empreitada, ironicamente, depende daqueles que mais cobram: Os leitores. Afinal, se não tem para comprar, reclamam. Se tem, reclamam que está caro. Se a qualidade gráfica cai para melhorar o preço, reclamam mais um pouquinho. Se a publicação para, reclamam de novo. E tudo isso regado a muito download de scan, que não tem qualidade de tradução e gráfica… Bem, como poderia, já que não passam de jpgs? Para quem reclama do papel jornal, o scan é tão mais vantajoso assim? Essa postura bipolar do mercado faz o setor ser um verdadeiro risco.

Mas deixemos essas mazelas de lado. Acredito que já dê para avaliar o trabalho que a Panini vem fazendo com a Vertigo.

Y – O Último Homem: Pena que foi publicado em capa cartonada. Pelo menos ficou mais acessível. Isso se refletiu nas vendas. Esgotou. Quer saber? É merecido. Eu tenho acompanhado os encadernados em capa dura americanos. Lá fora, já terminou, mas ainda não cheguei nesse ponto. Até onde li, vale a pena. E bastante! Pode não ser um primor no visual, mas não deixa de ser competente e tem um texto sensacional. Se você perdeu o primeiro volume, trate de correr atrás.

ZDM: Foi lançado ao mesmo tempo que Y. Não entendi por que este mereceu capa dura e Y, não. É interessante. Desenhos ótimos, mas nada excepcionais. A história não é lá muito empolgante. Um estagiário de jornalismo que acaba no meio da zona desmilitarizada que virou Nova Iorque, após uma nova guerra civil nos EUA. De lá, ele transmite o dia a dia. Tem momentos bem chatinhos e é bem difícil você sentir alguma empatia pelos personagens.

Fábulas: Seguindo a linha de histórias fantásticas da Vertigo, trata do cotidiano dos personagens de fábulas que, tendo seu país natal conquistado por um inimigo misterioso, reconstruíram suas vidas em um bairro de Nova Iorque. O argumento parece bobo, mas a força da obra está na condução e nas situações inusitadas em que os personagens são colocados. A Panini está começando do quarto volume. Espero que cumpram a palavra e relancem os anteriores, que foram publicados pela Devir e pela finada Pixel.

Preacher: Se você é fã de quadrinhos, este aqui não precisa de introdução. Um dos melhores trabalhos de Garth Ennis (se não for o melhor!). A Panini também está lançando um encadernado no meio da história, seguindo o que já foi publicado pela Devir e pela Pixel. Só que, desta vez, com um tratamento gráfico completamente diferente das antecessoras. É bom que republiquem os primeiros volumes também.

Transmetropolitan: Confesso que não conhecia esse. Só de nome. Nunca tinha lido nada. O primeiro volume me surpreendeu. Tem uma visão de futuro um pouco atrasada, talvez por ter sido escrita lá na década de 90, mas é bem legal. O personagem principal, um jornalista maldito, é engraçado e envolvente. Ninguém com quem você gostaria de dividir um apartamento, mas muito divertido de se ver em uma boa história em quadrinhos. Não é uma obra fácil de recomendar.

Vertigo: O mix de séries que a Panini resolveu colocar nas bancas. Estão publicando Tessália, Lugar Nenhum, Vikings, Hellblazer e Escalpo. Desses, Escalpo é um representante da nova linha da editora americana, que pretende deixar um pouco de lado os mundos de magia e investir mais em histórias de crime. Hellblazer tem seus altos e baixos. Tessália é mais um pouco do universo de Sandman expandido. Embora eu seja fã de Sandman, considero essas tentativas de retomar seu sucesso completamente dispensáveis. Lugar Nenhum é uma quadrinização de um livro de Neil Gaiman. Funciona bem melhor no livro, embora essa parte da carreira de Neil Gaiman mereça um comentário a parte: Ele escreve muito bem, mas tem uma tendência chata de estender demais seus livros, incluindo cenas irrelevantes. Não é o caso de Lugar Nenhum, mas American Gods e Anansi Boys estão cheios dessas irrelevâncias. Vikings é o melhor. Ficção histórica em quadrinhos. O primeiro arco que está nas bancas não é dos melhores. O próximo é bem mais empolgante.

Sandman: Desespere-se se você for um daqueles que deixou o volume um de Sandman da Conrad passar e procurou como um desesperado há um ou dois anos, pagando uma pequena fortuna para completar sua coleção. A Panini está relançando a série. E com o conteúdo da edição Absolute americana. Ok, a versão americana é mais luxuosa e maior, mas a brasileira não faz feio, não. Inspirado pela falta de cuidado com o acabamento de alguns encadernados recentes da Panini, eu estava receoso de ver edições de Sandman com páginas caídas. Folheei um na livraria e percebi que houve bastante capricho. Se você não fez sua coleção da Conrad ou deixou alguma lacuna, a hora é essa. Esqueça aquelas ediçõezinhas mequetrefes da Pixel. Tire o escorpião do bolso e vá atrás dessa nova oportunidade de ter um dos grandes quadrinhos do século passado na sua estante… e com estilo!

Loveless – Acabou de chegar às bancas. Um faroeste bem interessante. Esse eu vou acompanhar… se a Panini não pisar na bola!

Losers – Deu origem a um filme que está para ser lançado. Já li três capítulos até agora e confesso que não me empolgou em nada. Espero que melhore. Mas não boto fé.

100 balas – Mesmo caso de Preacher e Fábulas. Estão continuando o que outras editoras começaram. É a primeira série policial da Vertigo e que abriu caminho para o gênero na editora. Dá para considerá-la mãe de Escalpo, Losers e Crime. Valeria a Panini republicar desde a primeira. Tem muita gente por aí esperando para ler a série até o fim.


Luto

março 12, 2010

Tristeza pela morte de um dos grandes cartunistas brasileiros: Glauco


Algumas coisas a procurar e outras a evitar

janeiro 24, 2010

Procure

Ex Machina. História em quadrinhos escrita por Brian K. Vaughan e lindamente ilustrada por Tony Harris. Publicada lá fora pelo selo Wildstorm. Aqui, está sendo lançado o terceiro álbum, pela Panini. Conta a história do engenheiro Mitchell Hundred, que, após um misterioso acidente, ganha o poder de “conversar” com máquinas. Torna-se o super-herói “Grande Máquina”. Não demora muito para que ele perceba que, em um mundo real, ser um super-herói não é tão simples quanto nos quadrinhos. Aproveitando-se da popularidade que ganhou ao salvar uma das torres, durante o 11 de Setembro, ganha perdão federal e, de quebra, eleição para a prefeitura de Nova Iorque. A maior parte da história está focada em sua gestão. É um quadrinho politizado, inteligente, divertido, engraçado, sem concessões bobocas… E eu já disse que é lindamente ilustrado?

O procurado. Não o filme, mas a história em quadrinhos no qual ele se diz inspirado. Não chega a ser a coisa mais genial do mundo, principalmente o final, mas é divertido e perturbador. Lá fora, foi publicado pela Top Cow. De longe, a melhor coisa já lançada pelo selo, que tem muito visual, mas pouco conteúdo. Aqui, saiu pela Devir.

Fábulas. Acaba de ser lançado o quarto encadernado, pela Panini. Se você, como eu, não acompanhou os lançamentos anteriores, pela Devir e depois pela Pixel, comece por esse. A Panini está prometendo lançar os três primeiros no futuro, para que não haja um buraco na sua estante. Veremos.

House. Série de TV que passa no canal a cabo Universal. Está na sexta temporada. A série é campeã de audiência nos EUA e essa marca é mais do que merecida. Conta o dia a dia de um médico especializado em diagnóstico diferencial. O ponto alto da série é a personalidade de House. Manipulador, canalha, grosseiro, desagradável, insensível e mordaz. Mesmo assim, um cara que você gostaria de ter como amigo.

Bastardos inglórios. Filme mais recente de Quentin Tarantino, e o melhor. Se você não viu no cinema, não perca quando sair em DVD.

Massacration. Não sei quanto a vocês, mas eu não tenho nada contra o humor pastelão e descomprometido da turma de “Hermes e Renato”. Já estão no segundo CD da banda que satiriza o heavy metal “Village People” de bandas como Manowar. Participação hilária de Falcão na faixa “The Mummy”. Para quem curte rock pesado e tem senso de humor.

Maldita guerra. Livro de Francisco Doratioto, pela Companhia das Letras. Desmistifica e joga uma luz sobre nossa visão do conflito entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, no final do século 19. Até pouco tempo, um revisionismo histórico carregado de interesses políticos e ideológicos fez com que gerações de brasileiros acreditassem em visões equivocadas e tendenciosas sobre a Guerra do Paraguai. Esse livro é uma chance de higienizar nossas certezas históricas.

Evite

 Transformers 2 e Gi Joe. Ok, eu reconheço que é material velho, mas só recentemente eu assisti. E me arrependi até o último fio de cabelo. Uma sucessão de acontecimentos sem o menor sentido em um ritmo frenético que chega ao cúmulo de ser sonífero. Não serve nem como diversão descerebrada. Fique muito longe. Não deve ser coincidência que os mesmos comentários sirvam para os dois filmes.

O procurado. O filme. Simplesmente não faz sentido. Duas perguntas: o que são aquelas balas fazendo curva e matando uma dúzia de pessoas de uma só vez e de onde vem a informação para aquele maldito tear? Claro que essas perguntas são para os pobres coitados que assistiram ao filme. Se você não viu, não perca seu precioso tempo.

Ultimatum. A grande saga que promete mudar o universo Ultimate da Marvel começou a ser publicada no Brasil. Escrito por Jeph Loeb. Uma bobagem sem lógica. Para que você entenda, responda a charada: Um grupo de mutantes anda pelas ruas de Nova Iorque. Um tem asas penosas, outro tem habilidade e força ampliadas, uma garota desajustada transforma sons em luz ou luz em cristais ou qualquer bobagem desse tipo e o quarto consegue se teletransportar. Uma onda gigante vem na direção deles. Quem você acha que consegue se salvar? O teletransportador, claro… Espere. Não foi. O único sobrevivente do grupo foi o cara que tem asas e que sai voando pela água como uma arraia. Daí você já consegue imaginar o nível dessa saga? É daí para pior. Não gaste seu dinheiro com isso.


The Surrogates ou Os Substitutos

novembro 2, 2009

ATENÇÃO: Este post está cheio de spoilers. Leia por sua conta e risco!

 

Se você ouviu falar de “The Surrogates” (Substitutos) apenas como o novo filme de ação e efeitos especiais estrelado por Bruce Willis e que não tem sido bem recebido pela crítica especializada (http://www.omelete.com.br/cine/100022947/Critica__Substitutos.aspx  http://pipocacombo.virgula.uol.com.br/critica-substitutos/ http://cinema.cineclick.uol.com.br/criticas/ficha/filme/substitutos/id/2279 http://www.cinemaemcena.com.br/Ficha_filme.aspx?id_critica=7491&id_filme=6079&aba=critica), preste atenção, pois você pode estar deixando passar a oportunidade de curtir uma boa história. Não a do filme, claro… 

“The Surrogates”, originalmente, é uma graphic novel. Foi escrita por Robert Venditti e desenhada por Brett Weldele. Na história original, que ocorre em 2054, quase todos os adultos trancam-se na segurança de suas casas e operam robôs através de aparelhos que ligam suas mentes às máquinas. Assim, eles experimentam os estímulos do ambiente a que os robôs são expostos, sem se preocuparem com ferimentos ou doenças. Uma versão hardcore do Second Life. Entretanto, a destruição inusitada de um casal desses robôs leva o detetive Harvey Greer a se envolver numa conspiração que envolve o criador dos robôs e o líder religioso de uma comunidade que renega a utilização dos ”substitutos”.

Se, nos quadrinhos, o detetive luta para evitar o desligamento de todos os robôs e uma consequente mudança no confortável modo de vida que eles proporcionam, no filme, Bruce Willis tenta a todo custo evitar que um aparelho que tem a estranha capacidade de matar os operadores dos substitutos seja utilizado para exterminar quase toda a população mundial. Um exagero sem pé nem cabeça. Afinal, o vilão da história nada mais é do que o criador dos robôs (eu avisei que tinha spoilers).  Ele está desgostoso com sua responsabilidade na criação de uma apatia coletiva. ”Oras bolas”, pensa o velho. “Não aguento mais ver essa galera deixando de viver suas vidas e fazendo isso através de uma máquina. Vou desligar as máquinas? Não, vou matar todo mundo!” A típica falta de sutileza Hollywoodiana que não faz o menor sentido. Eles tentam nos fazer acreditar que sua psicopatia é resultado do assassinato recente de seu filho. Tá bom…

Outra diferença entre a obra original e a adapatação é a relação entre o detetive e sua esposa. Nos quadrinhos, ela não passa de uma mulher que não consegue enfrentar o avanço da idade e o declínio natural de seu corpo. Afinal, os substitutos são lindos e não envelhecem. Se algo desagrada, não precisa passar pelo desconforto e perigo de uma cirurgia plástica. Leve seu robô a um centro de update e melhore o que quiser. No filme, para justificar o amor incondicional do detetive por sua esposa, resolveram limpar a barra dela. Para que ela não parecesse tão superficial, inventaram uma bela cicatriz, provocada por um acidente de carro. Nesse acidente o filho do casal morreu. Assim, ao invés de simples viciados em vida virtual, temos um casal amargurado por uma experiência traumática e um defeito físico real. É a fraqueza humana precisando de uma justificativa. Ainal, heróis precisam de situações radicais para abandonarem sua natureza nobre…

O personagem Profeta, que tem importância fundamental no desenrolar da trama nos quadrinhos, no filme não passa de um personagem desinteressante, mal explicado e irritante. Na tentativa de criarem uma ironia, os roteiristas apelaram para a fórmula mais manjada e revelaram, lá perto do final do filme, que o Profeta e seus dois seguranças também são robôs. Isso acontece dentro de um gueto onde o ódio aos substitutos chega à paranóia.

Existem vários outros detalhes que desabonam o filme. Meu conselho: não perca seu tempo. Se acha que a sinopse daria uma boa história, saiba que já deu e que você pode conferi-la em português, numa edição da Devir. Vá a uma livraria ou comic shop e curta. O filme? É quase um substituto… mas muito defeituoso.

surrogates


Y – o último homem

outubro 24, 2009

Quem nunca viu aquela cena clichê em que a mulher esbraveja para o cara: “Eu não transaria com você nem que fosse o último homem sobre a Terra!”? Óbvio que, sendo uma situação manjada, os dois acabarão juntos em algum ponto da história.

Brian Vaughan elevou esse padrãozinho a outro nível ao criar a série “Y – The last man”. A premissa não é das mais complicadas. Algum fenômeno misterioso simplesmente exterminou todos os machos mamíferos do planeta. De uma hora para outra e ao mesmo tempo. Sobraram apenas o jovem Yorick e seu macaco Ampersand. Yorick é um artista “escapista”. Um Houdini nerd e sem emprego.

Se você é homem pode até pensar: “Um homem sozinho em um mundo cheio de mulheres? É o paraíso!” Não é o caso de Yorick. Primeiro, porque aquela frasezinha clichê que eu mencionei lá no início persegue o herói. Mesmo abandonadas em um mundo sem homens, muitas das mulheres que cruzam o caminho dele não fazem questão alguma de suprir sua carência com um qualquer só porque ele é o último proprietário de um pênis vivo sobre o planeta. Segundo, porque Yorick não é um dos caras mais estimulantes a caminhar sobre a Terra. Terceiro, porque ele é um idiota que está obcecado pela ideia de reencontrar sua namora (que ele acredita ser noiva).

O exercício de imaginar como grupos de mulheres reagiriam à extinção repentina do gene Y (daí o nome da série) é o ponto alto do quadrinho. Uma diversão bem escrita e (apenas) competentemente desenhada da Vertigo. A Panini acaba de lançar o primeiro volume encadernado, que corresponde às cinco primeiras edições. Você pode acompanhar a versão traduzida ou apelar aos encadernados importados. Seja como for, se você gosta de bons quadrinhos e boas histórias, aconselho a comprar “Y – O último homem”.  Diversão garantida e inteligente.

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Whiteout pela Devir

setembro 12, 2009

É oficial. A Devir finalmente aprendeu a publicar quadrinhos.

Era de se estranhar que uma empresa que trabalha com quadrinhos há tantos anos tivesse cometido erros grosseiros na publicação de Authority e da versão em quadrinhos do Hobbit (isso, só para citar alguns exemplos). Mas tenho que admitir que, hoje, a Devir tornou-se uma alternativa real para fãs da nona arte.

“Whiteout” está chegando por aqui com um atraso de mais de dez anos, mas não dá para entrar nesse mérito em se tratando de mercado brasileiro. Publicada originalmente em minissérie pela editora Oni Press, a primeira história, “Morte no Gelo” chegou por aqui diretamente em sua versão encadernada. Caprichada. Sem os erros de revisão que tanto me incomodaram nas primeiras edições da Devir e com tratamento gráfico coerente.

Sobre a obra, nada tão apoteótico. Uma história policial, bem construída, com mistérios e reviravoltas comuns ao gênero. O diferencial é se tratar de um caso ocorrido em plena Antártida, com direito a descrições científicas, ao melhor estilo “National Geographic” e referências aos tratados internacionais sobre o continente gelado.

Os diálogos são dinâmicos, mas não superficiais. A história é bem amarrada e o autor não se perde em devaneios e flashbacks intermináveis e sem sentido, um vício que se espalha a passos largos em quadrinhos independentes.

O desenho é uma espécie de “noir ao contrário”. Ao invés de trabalhar as sombras, valoriza o branco da neve, para criar uma sensação claustrofóbica ao inverso. Steve Lieber, o desenhista, usa técnicas artesanais, com nanquim, retículas e guache branco. Parece um quadrinho saído dos anos 70. E digo isso como um elogio.

A Devir também lançou a segunda história “Ponto de fusão”. Provavelmente estão pensando em aproveitar o lançamento vindouro do filme. No que estão muito certos!

À Devir, meus parabéns. A vocês, fãs de quadrinhos, recomendo conferir “Whiteout”. Você encontrará os dois álbuns na Comix ou nas livrarias, como Cultura e Saraiva.

Vale.

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O que acontecerá com os personagens da Marvel na Disney?

setembro 1, 2009

wolverine disney


Educação sexual para crianças

agosto 26, 2009

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Desenhos de férias – 1

agosto 14, 2009

Todo nerd, desenhista, apaixonado por quadrinhos e que não tira férias ao mesmo tempo que a esposa acaba produzindo trabalhos em casa…

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Trindade improvável em Brasília

agosto 8, 2009

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Ótimas opções

agosto 2, 2009

Leitores de histórias em quadrinhos estão vivenciando um dos melhores momentos do mercado. Se a crise econômica não quebrou suas pernas, chegou a hora de tirar o escorpião do bolso, martelar o porquinho/cofrinho e ir às compras.

A Devir parece ter aprendido a lição. Quando começou a lançar sua própria linha de publicações, pisou feio no tomate. O primeiro volume de “Authority” tinha qualidade e, pasmem, formato diferente do segundo. Para colecionadores que desembolsaram quase 50 reais, era uma afronta. A quadrinização de “O Hobbit” tinha uma média de um erro de revisão por página… e tinha um revisor creditado! Devem ter cometido mais barbaridades, mas não continuei consumindo nada com o selo deles para saber.

Até recentemente…

E tive uma feliz surpresa. Não só parecem ter resolvido – ou, pelo menos, amenizado – as falhas, como também ampliaram as publicações, incluindo trabalhos bastante interessantes. Entre eles, “Predadores”, dos franceses Jean Dufaux e Enrico Marini. Lá no país de origem, foi uma série em quatro álbuns de muito sucesso, iniciada em 1998. Pois é… chegou com um certo atraso. Mas não adianta lamentar a inércia de nossos editores. Melhor curtir a oportunidade. A edição da Devir está caprichada. A história é bacana e os desenhos são sensacionais. Uma bela aquisição para sua coleção. Você pode comprar os quatro álbuns na Comix. Mas corra antes que sumam! E espero que a Devir continue com mais gratas surpresas.

predadores

Já a Panini lançou “Eu sou legião” em um formato que poderia inspirar a Devir. A história foi originalmente publicada em três álbuns. Aqui, saiu em um único volume em capa dura. Também dá para comprar na Comix, além de livrarias e até algumas bancas de jornal. A obra é escrita pelo francês Fabien Nury e desenhada pelo americano John Cassaday. A história de espionagem e fantasia se passa durante a Segunda Guerra Mundial. Uma garotinha com poderes bizarros está sendo cogitada pelos nazistas para ser transformada em uma arma definitiva. O texto é muito bem escrito, os personagens são interessantes e cativantes e os desenhos de John Cassaday dispensam apresentações. O preço é um pouco salgado. Está saindo por R$ 49,90, mas é bem provável que caia nos próximos meses… se você aguentar esperar.

eu sou legiao


Dicas Titus – 1

julho 9, 2009

dicas de titus 1


Onde encontrar

julho 2, 2009

É verdade que, desde que comecei a colecionar histórias em quadrinhos, lá na primeira metade dos anos 80, nunca vi o mercado nacional tão favorável quanto agora para apaixonados incorrigíveis pela nona arte.

 Os Nacionais:

A Panini anda lançando materiais bem interessantes e com qualidade gráfica louvável:

- A minissérie de Wolverine desenhada por Frank Miller.

- A fase Brian Azarello e Ricardo Risso com Batman – Cidade Castigada

- Batman – A piada mortal recolorizado,

piada mortal

- Batman – O cavaleiro das trevas (ainda tem por ai)

- Coringa. Com capa dura. Caprichado.

- Loki. Uma das melhores histórias de Thor, numa edição bacana.

- Homem-de-ferro – Extremis. Esse também merecia uma edição em capa dura, mas tá valendo, assim mesmo.

- Watchmen em duas versões, uma econômica e outra de luxo.

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- O encadernado com as histórias de Paul Dini, pintadas por Alex Ross para os personagens da DC Comics.

- Lobo. Esse foi uma surpresa. A edição brasileira está mais luxuosa do que a americana.

- Novos X-men, de Grant Morrison. Por enquanto, saíram dois encadernados. Espero que continuem. É uma das melhores fases dos X-men.

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- Os encadernados de Supremos. De longe, a história de super-heróis mais divertida e empolgante da década.

- Lobo Solitário e Samurai Executor. Clássicos dos mangás. É possível comprar as séries importadas, da Dark Horse, mas, neste caso, aconselho a preferir as edições nacionais. Os apêndices são muito melhores e a edição americana adaptou os quadros para o sentido de leitura ocidental. Parece bobagem, mas ler mangá no sentido original é bem melhor, acredite.

Os quadrinhos da Panini podem ser encontrados em bancas, mas a maioria do que apontei aqui ou foi distribuída setorizadamente ou simplesmente já sumiu das prateleiras. Mas não se desespere.

Tente a Fnac, que faz bons descontos: www.fenac.com.br

O mais garantido é a Comix. Se você mora em São Paulo, vale uma visita. Se não, eles vendem pela internet: www.comix.com.br

Algumas coisas podem ser encontradas por bons preços na Rika: www.rika.com.br

Tem também a Livraria Cultura: www.livrariacultura.com.br e a Saraiva: www.saraiva.com.br

Já comprei em todas elas e são ponta-firme.

A Conrad não faz feio. Depois da coleção completa de Sandman (espero que você tenha completado a sua), eles deram um susto nos leitores, num hiato de lançamentos que fez marmanjo chorar. Agora, parece que a editora está voltando ao normal e continuando seu ótimo trabalho:

- Dragon Ball. De longe, o mangá mais divertido que já tive o prazer de ler. Estão no número 16 da versão definitiva e ainda tem muito por vir. Espero que continuem.

- Verão Índio e El Gaucho. Duas obras-primas da dupla Hugo Pratt e Milo Manara. Não comprou ainda? Está perdendo tempo.

- O Clic, de Manara. Quadrinhos eróticos de qualidade nada suspeita.

- Borgia. Não consigo entender como ainda não esgotou na editora. É bom demais para estar sobrando.

O legal da Conrad é que, além de você poder procurar os títulos nas lojas que mencionei antes, eles ainda têm a loja própria: www.conradeditora.com.br

A Pixel, selo da Ediouro para quadrinhos, era uma promessa, mas não passou muito disso, não. Depois de encher os leitores com esperanças e alguns lançamentos empolgantes, morreu na praia. O legal deles foi o lançar quatro álbuns de Corto Maltese. Esses ainda podem ser encontrados nas livrarias (Cultura, Saraiva, Fnac). Já sem o selo Pixel, a Ediouro lançou, surpreendentemente, a quadrinização do conto que deu origem ao filme “O curioso caso de Benjamin Button”, de Fritzgerald. Muito melhor do que o filme.

Outra editora que prometeu, chegou a lançar algumas coisas e morreu foi a Ópera Graphica. Talvez você ainda encontre alguma encadernação de Ronin, mas acho pouco provável.

A Devir continua tentando, mas lançar quadrinhos, definitiva e ironicamente não é o forte deles. A passagem de Authority por lá foi decepcionante. Eles lançaram os dois primeiros números de Rampaces (por aqui, Predadores), mas ainda faltam mais dois. Além da falta de cuidado gráfico e com revisão, a Devir sofre do mal de não terminar o que começa. Já faz um tempo que prometeram o Umbrella Academy e, até agora, nada! Pelo menos, é uma alternativa de importação. Mas se você não mora em São Paulo e tem cartão de crédito internacional, aconselho uma outra alternativa bem mais confiável e econômica: internet. Mas deixemos para falar sobre isso daqui a alguns parágrafos.

Uma editora que está entrando com qualidade no mercado de quadrinhos é a Companhia das Letras. Já lançaram Maus, Persépolis e uma coletânea de álbuns de Will Eisner. Também tem o ótimo trabalho de Spacca, em comemoração aos duzentos anos da vinda da família real ao Brasil: Dom Pedro Carioca. Para as publicações da Companhia, a melhor alternativa é a Livraria Cultura, que tem uma parceria e descontos especiais para os produtos da editora. Melhor ainda se você fizer parte do programa de fidelização deles. Aliás, utilize esta alternativa, não só na Cultura, mas também na Saraiva e na Fnac. É vantajoso, principalmente se o seu volume de compra for considerável.

 Os Importados

Se você não sabe ler em inglês, seria bom pensar a respeito. Não é um bicho de sete cabeças. O mesmo vale para francês e italiano. E você ainda poderá curtir trabalhos ótimos nessas línguas e que não saem por aqui.

Para comprar quadrinhos importados, existem algumas alternativas. Primeiro, prepare o bolso, mas não se desespere. Não é tão desesperador assim. Minha versão daquele encadernado dos Super-heróis DC de Paul Dini e Alex Ross é importada. E saiu mais barata que a nacional.

Se você não tem cartão de crédito internacional, algumas coisas podem ser encomendadas na Livraria Cultura e na Saraiva. A Cultura é a melhor nesse segmento. Trazem material dos Estados Unidos, Inglaterra, França, Itália e Espanha. O problema é que a maioria tem que ser encomendada e demora bastante para chegar. O preço não é muito maior do que importando por algum site, mas, na maioria das vezes, você economiza comprando diretamente lá fora. A vantagem é que, na Cultura, você consegue parcelar no cartão.

Por outro lado, se você tem cartão internacional, sua vida fica bem mais fácil. As melhores alternativas são:

www.amazon.com – Provavelmente você já ouviu falar dela. Para revistas mensais, não é recomendável. Mas para encadernados é ótima. Você também pode visitar a Amazon francesa e trazer coisas bem bacanas. Eu recomendo Sillage, Rampaces e Murela. Mas ainda estou engatinhando no mercado francês, então ainda tem muita coisa boa para ser descoberta. Uma vantagem de comprar na Amazon francesa é que a mercadoria chega muito rápido. Mais do que a americana e, definitivamente, bem mais rápido que a Cultura.

www.tfaw.com – Things From Another World. Esse site é especializado. Você pode comprar encadernados e revistas. Chega mais rápido do que a Amazon. Até agora, não tive nenhum problema.

www.heavymetal.com – Onde você pode assinar a Heavy Metal e encomendar vários dos álbuns deles. Inclusive a ótima Drunna e Ranxerox.

E atenção ao que você poderia estar lendo, ou completando em sua gibiteca:

- Punisher – Garth Ennis – Omnibus – Um volumão em capa dura com mais de mil páginas com quase todas as histórias que Garth Ennis escreveu para o Punisher no selo Marvel Knights. Só ficou faltando Ressurrection of Ma Gucci. Mas esse você pode comprar separado em uma encadernação caprichada.

- Absolute Ronin – Quem é fã da obra de Frank Miller vai encontrar uma edição luxuosa da minissérie.

- Daredevil by Frank Miller Omnibus – Outro volumão, dessa vez com as melhores histórias que Frank Miller escreveu para Daredevil (por aqui, Demolidor). Tem “A queda de Murdock”, “O homem-sem-medo” e “Guerra e Paz”. Um outro volume da Elektra traz “Elektra: Assassina” e “Elektra Vive”, além de uma historinha curta.

- Marshall Law – Mais um volumão, com as histórias do caçador de heróis. Ainda está em pré-venda. Mas você encontra alguns encadernados avulsos. Meu conselho: Espere este encadernado.

- O terceiro volume da Liga Extraordinária é superestimado. Não é tudo isso. Mas você só vai encontrar lá fora.

- 100 Bullets. A Ópera Graphica tentou, a Pixel tentou… mas parece que a obra-prima de Azarello e Risso só vai chegar mesmo importada. Então, corra atrás.

- Y, the last man – Outra ótima publicação da Vertigo que você só vai acompanhar se importar.

- The Boys – A sátira corrosiva de Garth Ennis dos super heróis. Divertida de tão podre.

- The Savage Sword of Conan – A Dark Horse está republicando em encadernações. Não tem o luxo que mereceria, mas é uma boa forma de ter todas as histórias e na ordem em que foram publicadas lá fora. Já está para sair o número 6. Corra atrás antes que acabe.

- American Flagg – De Howard Chaykin. Chegou a sair por aqui lá na segunda metade dos anos 80. Pouca gente deve lembrar. Mas vale muito a pena.

- Outro em pré-venda é uma edição completa de Rocketeer. Diversão garantida.São duas histórias. A primeira foi publicada na finada série Graphic Novel da Abril. A segunda nunca deu as caras por aqui. Oportunidade.

- Path of the Assassin – Da mesma dupla criadora de Lobo Solitário e Samurai Executor. Provavelmente, não sairá por aqui, mas não é certeza. Se dermos sorte, a Panini se arriscará. Seja como for, a Dark Horse aprendeu a lição. Ao contrário das outras duas séries mencionadas, essa aqui já foi publicada respeitando a orientação de leitura oriental.

- Authority – Compensa mais correr atrás das edições americanas. Com os quatro primeiros encadernados, você já tem diversão inteligente. Se achar que deve comprar os quatro seguintes… sua conta e risco. Também tem um especial chamado Human on the inside. Bacana.

- All Star Superman – Ok, eu sei que deveria ter falado sobre ele lá no começo. Afinal, foi lançado por aqui. Mas, sinceramente, compensa muito mais pegar os dois encadernados importados. Uma obra que merece o prestígio.

- Punisher Max, de Garth Ennis – Esse aqui é pura opinião pessoal. Eu considero o melhor momento de Punisher. Um saco ter que acompanhar no mix da Marvel Max da Panini. O importado pode ser encontrado em 5 encadernados em capa dura ou 10 em capa cartonada. Pelo preço, compensam mais os de capa dura.

- Preacher – Já que voltei a falar de Garth Ennis… o melhor jeito de ter toda a série Preacher é importando. Ou as edições em capa cartonada ou esperando os especiais em capa dura, que começam a sair no segundo semestre de 2009.

 Todas as sugestões que eu dei de edições seguem puramente uma questão pessoal. Provavelmente, esqueci de mencionar alguma coisa. Mas não importa. Importantes são os endereços para você contribuir com sua gibiteca.

Sinta-se à vontade para fazer sugestões no espaço para comentários.


O Macartismo tardio contra Will Eisner

junho 22, 2009

Quase 60 anos depois de apavorar a indústria de entretenimento norte-americano, o movimento liderado pelo senador Joseph McCarthy parece querer entrar na cultura brasileira. Não com a paranóia anti-comunista e a pressão do senado, como aconteceu nos EUA, mas com o mesmo espírito neurótico e agarrando-se a conceitos questionáveis de “moral e bons-costumes”. Tanto lá como aqui, a indústria dos quadrinhos se transforma em alvo prioritário. Lá, na década de 50, o Macartismo foi responsável pela criação do famigerado Comics Code. Aqui… sabe-se lá que tipos de ideias podem surgir.

Depois da polêmica gerada pela lambança da Secretaria Estadual de Cultura, que indicou uma história em quadrinhos adulta para alunos da quarta série, os moralistas de plantão sentiram-se na obrigação de apontar suas neuroses para outras obras gráficas. O escolhido da vez foi nada menos que a obra-prima “Um Contrato com Deus” de Will Eisner, que está na lista do MEC. Por não ser considerado didático, está seguindo para as bibliotecas. Educadores de São Paulo e Paraná estão exigindo a retirada do livro das prateleiras, alegando que contém cenas de violência, estupro e pedofilia e que está circulando entre alunos da quinta série.

Paulo Teixeira, um blogueiro cristão/maluco está rotulando a graphic novel como “obra do Poder das Trevas”: http://holofote.net/2009/06/02/livro-%E2%80%9Cum-contrato-com-deus%E2%80%9D-que-vai-ser-distribuido-pelo-governo-federal-as-bibliotecas-escolares-contem-cenas-de-estupros-violencia-domestica-pedofilia-e-outras-aberracoes/

É uma tristeza ver o trabalho de um dos mais importantes artistas do século XX sendo reduzido a um “gibi com cenas inadequadas”.

“Um Contrato com Deus” é poesia gráfica, lição de desenho e narração. A história principal e as histórias curtas que a acompanham são frutos de lembranças da infância e adolescência de Will Eisner. Não é  para crianças, é verdade, mas está longe de ser merecedora de uma caça às bruxas. Muito menos ser jogada na fogueira da censura imbecil dos neo-macartistas e manipuladores da paranóia acéfala.

acontractwithgod

 


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